Antes calado, Anastasia refuta pedalada fiscal em Minas

Em tom sarcástico, senador disse que seu Estado está 'saudoso' de sua presença

Luísa Martins Isabela Bonfim / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 Abril 2016 | 07h17

Se na quinta-feira o relator do pedido de impeachment no Senado, Antonio Anastasia (PSDB-MG), permaneceu calado frente às acusações relacionadas à sua gestão fiscal no governo de Minas Gerais, ontem o senador optou por se defender. Em tom sarcástico, disse que seu Estado está “saudoso” de sua presença e, em outras intervenções, chamou uma parlamentar de “invejosa”.

Conforme revelou o Estado, o tucano, quando governador de Minas entre 2010 e 2014, enfrentou questionamentos sobre a edição de decretos de suplementação orçamentária supostamente sem aval do Legislativo – a mesma prática fiscal que embasa o pedido de afastamento da presidente Dilma Rousseff em tramitação no Congresso.

Provocado primeiramente pelo senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que o acusou de não cumprir a meta em nenhum de seus anos de gestão, o relator disse que o assunto não estava em questão. “Eu queria lembrar que o objeto desse processo é a senhora presidente, não é o meu mandato de governador (...). Eu deixei o governo de Minas há mais de dois anos. Aliás, dizem que estão saudosos de mim por lá, mas meu mandato acabou.” Anastasia disse ainda que “não há qualquer voz trovejante” que possa alterar sua serenidade e senso de responsabilidade.

Duas horas depois, quando a senadora Fátima Bezerra (PT-RN) pediu que Anastasia fizesse um “exame de consciência”, ele rebateu que, ao trazer o assunto à tona, ela “pôs tudo (que já tinha sido discutido até então) a perder”. “O tiro pode sair pela culatra”, disse.

Já em resposta à Gleisi Hoffmann (PT-PR), foi mais enfático: “A senadora apresenta uma catilinária contra o meu governo, talvez invejosa de eu ter sido governador de Minas, e ela não ter logrado a eleição no seu Estado (...). Nenhum cidadão mineiro apresentou pedido de impeachment durante o meu governo”. Voltou a afirmar que o foco da discussão não eram as suas contas, e sim as de Dilma. “Poderia dedicar parte do meu relatório a explicar minhas contas, mas isto é desnecessário. Qualquer arguição que exista será julgada oportunamente”.

O ministro da Advocacia-Geral da União, José Eduardo Cardozo, antes de iniciar o discurso de defesa, anunciou que entraria com requerimento para pedir a suspeição de Anastasia, já que ele é do mesmo partido de um dos juristas que assina o pedido de impeachment – Miguel Reale Júnior – e, por isso, não conseguiria ser imparcial em seu relatório. O tucano nega que seu partido político vá influenciar na sua decisão.

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