Antecessor e legenda pressionaram Dilma a abrir o cofre

Enquanto Lula cobra que governo injete dinheiro na economia, presidente defende política de rédea curta

Ricardo Galhardo e Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

22 Junho 2014 | 02h03

Quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas ao secretário do Tesouro, Arno Augustin, há duas semanas, em Porto Alegre, deixou visível as divergências entre ele, o PT e a presidente Dilma Rousseff em relação à política econômica neste ano eleitoral. A afilhada começou a atender à parte das pressões do antecessor e do partido.

Embora mantenham uma relação estreita de parceria, são frequentes as discordâncias sobre a economia. Lula cobra que o governo abra o cofre para aumentar o crédito, agradar a setores do empresariado e do agronegócio e criar uma sensação de aquecimento da economia, enquanto Dilma defende a política de rédea curta nos gastos, temendo o descontrole da inflação.

Petistas apontam três casos recentes nos quais Dilma cedeu às pressões de Lula e do PT. O primeiro foi a liberação do volume recorde de R$ 156 bilhões para o Plano Safra 2014/2015, em 18 de maio. No dia seguinte, Dilma sancionou a lei que cria o piso salarial nacional de R$ 1.040 para agentes comunitários de saúde. Por fim, na quarta-feira, foi anunciado o pacote de benefícios para a indústria. Todos tinham ressalvas por parte da equipe econômica e aval de Lula. Dilma pendeu para os argumentos do "criador" e padrinho político.

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