Antagonistas tiveram voto 'mais barato'

Antagonistas tiveram voto 'mais barato'

Rivais no Congresso, Jean Wyllys e Marco Feliciano receberam apoio ideológico nas urnas

PEDRO VENCESLAU, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2014 | 02h02

Os dois deputados federais eleitos que tiveram menos custo para cada voto recebido foram antagonistas no debate sobre direitos humanos no Congresso e na mídia - Jean Wyllys (PSOL-RJ) e Marco Feliciano (PSC-SP), com custo médio de R$ 0,47 e R$ 0,37 por voto, respectivamente.

O parlamentar do PSOL, que obteve 144 mil votos neste ano e 13 mil na eleição anterior, foi um dos que menos arrecadaram entre os eleitos para a nova legislatura - apenas R$ 67,9 mil, menos de 5% da média de R$ 1,4 milhão. Ele diz que conseguiu a quantia pela internet e por doações de pessoas físicas, já que seu partido não permite doações de empresas. "Acredito que atraí o voto ideológico já que tratei de vários temas sem medo."

Entre as bandeiras de Wyllys estão a legalização da maconha e defesa da população LGBT. Ele diz que sua militância nas redes sociais contribuiu. "Eu opero nas redes sociais. Faço um trabalho virtual permanente."

Com a terceira maior votação em São Paulo (quase 400 mil votos), Feliciano arrecadou R$ 145 mil e diz que gastou pouco porque contou com uma "superexposição" na mídia, além de um exército de voluntários arregimentado pelo Facebook. "São Paulo, que é um Estado conservador, abraçou minha causa." Segundo o deputado, que é pastor da igreja evangélica Assembleia de Deus, cerca de 2 mil pessoas trabalharam de graça na campanha.

Um ponto em comum entre ambos é a militância intensiva nas redes sociais. "Tenho muitos voluntários nas redes sociais e mais de 1 milhão de seguidores no Facebook", afirma o parlamentar.

Sobre a semelhança entre sua campanha e a de Wyllys, o pastor afirmou: "Ele foi o deputado que mais apareceu na TV neste mandato. Teve apoio dos progressistas e foi apadrinhado por artistas".

Questionado sobre o fato de Feliciano também ter feito uma campanha proporcionalmente barata, o deputado do PSOL disse que ele também conta com o "voto ideológico". "Ele se colocou como opositor dos direitos das minorias. Só que ele tem uma máquina que é a igreja e eu não tenho púlpito para falar." / COLABORARAM JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO E RODRIGO BURGARELLI

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