Ano eleitoral atrapalha debate da reforma política

Juntamente com a reforma tributária, a proposta de reforma política tem sido uma das agendas com mais dificuldade de prosperar no Congresso. Sem obter consenso, discussões anteriores sobre o tema fracassaram nos últimos anos.Pior: como os parlamentares nunca chegaram a um acordo a respeito das questões polêmicas - como é o caso da fidelidade partidária -, acabaram tendo que ver o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabelecerem normas à sua revelia.Agora, a idéia é trazer a discussão de volta para o Congresso no próximo ano. "Em 2009, pode ser que essa discussão seja feita. Porque este ano não se consegue acordo nem para votar requerimento de convocação de ministro dentro de CPI. Não há clima político para discutir nada", afirmou o senador Sérgio Guerra (PE), presidente nacional do PSDB. Ele se referia à derrota que a oposição sofreu durante a semana passada na CPI dos Cartões, quando tentou aprovar a convocação da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para prestar depoimento sobre o dossiê com os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.PONTOS CENTRAISAlém da proposta de mandato de cinco anos com fim da reeleição, dois pontos são considerados centrais dentro da discussão da reforma política. Um é a adoção do sistema de votação em listas, em que cada pessoa vota numa lista feita previamente pelos partidos e os candidatos são eleitos conforme sua posição na relação apresentada. O outro é o financiamento público das campanhas eleitorais.As duas medidas são polêmicas e dividem os partidos. A oposição é amplamente favorável ao financiamento público das campanhas, mas admite que existe dificuldade para que a idéia avance, por conta da reação da opinião pública, considerada contrária. Já a votação em listas esbarra na complexidade do modelo.

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