Anne Krueger, do FMI, faz elogios entusiásticos ao Brasil

A vice-diretora-gerente do FMI elogiou as primeiras semanas no poderdo governo petista. "As autoridades brasileiras vêm gerenciando asexpectativas muito bem", disse. "Elas têm mostrado até agora umaatitude responsável diantes dos problemas". Ela mencionou também aagenda de reformas planejadas pelo governo e salientou que aconcessao de autonomia operacional ao Banco Central seria "muitoimportante". Anne Krueger disse que a decisão de elevar a meta desuperávit primário fortalece a imagem de seriedade do novo governobrasileiro. "É mais uma indicação de responsabilidade do governobrasileiro nas suas políticas monetária e fiscal, é um bom passoadiante", disse Anne Krueger em entrevista aos enviados especiais do Grupo Estado a Davos. Anne Krueger deverá manter amanhã encontros com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Segundo ela, a agenda das reuniões "está aberta e não há nenhum tema específico a ser especialmente tratado". Responsabilidade fiscal"Os mercados não estavam persuadidos que o novo governo seria de fato responsável na área fiscal e isso é mais um indicação de que ele é". Segundo ela, o maior aperto fiscal vai ajudar o Brasil a retomar o crescimento maisrapidamente. A diretora do FMI salientou que é importante que no médio prazo a relação dívida-PIB do Brasil possa cair. Segundo ela, com a meta de superávit atual, "isso pode ocorrer, mas a margem de segurança nao é muito grande". "Elevar a meta irá produzir duas coisas: aumentará essa margem e isso é bom em si. Outra coisa importante é que isso enviaria um forte sinal para o mundo de as autoridades brasileiras - o novo governo - são sérios em garantir que as coisas continuarão sob controle. Eu acredito que elas sao sérias, estão empenhadas em enviar essa mensagem e isso é positivo", disse Anne Krueger. Anne Krueger observou que concorda com o alerta feito por várioseconomistas de que uma nova meta de superávit primário não pode serambiciosa demais. "Certamente a meta tem que ser crível". 12% não é um número ruim Anne Krueger evitou comentar a decisão do Copom de elevar a Selic para 25,50%. "Eu estava viajando e tenho examinar isso antes de comentar", afirmou. Mas ela observou que "medidas para combater a inflação são mais um sinal positivo." Anne Krueger observou que a inflação no Brasil no ano passado, "em torno de 12%, não é um número ruim". Mas, segundo ela, o"importante é saber o quanto isso veio da expansão da base monetáriae quanto foi provocado" pela desvalorização da moeda. "Eu acho queveremos uma estabilização ou até mesmo uma valorização da moeda e comisso deveremos ver uma reversão (na inflação)", disse Anne Krueger. "Euacho que isso vai ajudar, mas ainda falta ver se isso será suficenteou será preciso mexer em algo mais, isso ainda não está claro." Acesso a mercados externosA vice-diretora-gerente do FMI disse acreditar que o Brasil irá recuperar o acesso aos mercados de capitais externos em 2003. "É claro que isso depende da manutenção das boas políticas", disse. "Mas acho que alguns capitais já estão retornado ao Brasil, ou seja, a recuperação do acesso já está acontecendo em certo grau". Segundo ela, "a queda dos spreads é outra indicação clara dessa melhora." Questionada se ela acredita na queda do risco Brasil nos próximos meses, ela foi taxatixa: "Acredito, sim". Veja o especial sobre os Fóruns de Davos e Porto AlegreVeja o índice de notícias sobre o Governo Lula-Os primeiros 100 dias e a área econômica

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