Annan pede atenção à Bolívia em América Latina no 'rumo certo'

A Bolívia, em meio a uma grave crisepolítica que divide pobres e ricos, precisa da atenção dosvizinhos latino-americanos que fizeram avanços democráticos nosúltimos dez anos e trouxeram estabilidade à região, disse nestasegunda-feira o ex-secretário-geral das Nações Unidas, KofiAnnan, durante uma palestra. "Estava um pouco preocupado com a América Latina, mas elaestá tomando o rumo certo. E eu acho que as pessoas deveriammanter um olho na Bolívia", disse Annan em resposta a perguntasem congresso sobre publicidade em São Paulo. Ao comparar a situação atual com a que enfrentou entre 1997e 2007, período em que liderou a ONU, Annan afirmou que "nogeral a região é muito mais estável e há mais cooperação", masinsistiu que "a Bolívia precisa de atenção". O presidente boliviano, Evo Morales, enfrentará em 10 deagosto um referendo que decidirá sobre o seu mandato, em meio auma pesada disputa com governadores de oposição por autonomiaregional. Morales e a maior parte dos nove governadores do paísse submeterão a uma votação que pode tirá-los dos seus cargos. Morales propôs o referendo no ano passado, em uma aparentetentativa de enfraquecer a oposição que governa várias regiõesno centro e no leste da Bolívia. Annan disse também que ficou "feliz" ao ver os cumprimentosentre os presidentes venezuelano, Hugo Chávez, e colombiano,Alvaro Uribe, após um afastamento que parecia intransponível,ampliado pelo ataque colombiano a guerrilheiros das Farc emterritório equatoriano. "No meu mandato na ONU tentamos estimular Washington aconversar com Chávez. Eu pessoalmente estimulei Hugo a falarcom Washington, mas isso não aconteceu... hoje parece havermais maturidade", afirmou o diplomata, que voltou a defender aampliação do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Para ele, os integrantes atuais "refletem a situaçãopolítica da 2a Guerra Mundial e não levam em conta aimportância dos países emergentes", entre os quais citouBrasil, África do Sul, Índia e Indonésia. "Essas são potências importantes que têm de ser levadas emconta para resolver as questões globais", disse o ganês de 70anos, prêmio Nobel da Paz em 2001. O ex-secretário-geral da ONU voltou a dizer que o Zimbábue,que reelegeu o presidente Robert Mugabe após uma votaçãocontestada mundialmente, deveria seguir o exemplo do Quênia--país africano onde foi formado um governo de unidade nacionalpara superar as pesadas divisões políticas.(Reportagem de Maurício Savarese)

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