ANJ: Redações terão maioria com diploma

Abert também defende a tese; deputado busca conciliar interesses

Moacir Assunção, O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2009 | 00h00

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira das Empresas de Rádio e Televisão (Abert) afirmaram, por meio de seus representantes, que as empresas continuarão contratando profissionais formados em faculdades de jornalismo, apesar da decisão de anteontem do Supremo Tribunal Federal (STF), contrária à obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão.O diretor executivo da ANJ, Ricardo Pedreira, defendeu a tese de que a decisão do STF não significou uma vitória contra a qualificação, mas a favor da liberdade de expressão. "A lei anterior, que já não estava em vigência por força da liminar de 2006, reservava somente a portadores do diploma a possibilidade de atuar como repórteres e agora, ao menos em tese, qualquer cidadão poderá ser jornalista", disse. Ele fez questão de frisar, entretanto, que as empresas continuarão buscando seus profissionais em boas faculdades de jornalismo. Daniel Pimentel Slaviero, presidente da Abert, apresentou argumento semelhante. "A realidade atual não vai mudar ou vai mudar muito pouco. Somos contra o diploma como pré-requisito para exercer a profissão e consideramos que abrir o jornalismo a outros profissionais arejará as redações e será bom para o público", afirmou. Naturalmente, de acordo com ele, a maior parte dos profissionais dos departamentos de jornalismo das TVs e rádios continuará sendo de jornalistas formados. CRÍTICASO presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murilo de Andrade, demonstrou indignação pelo resultado, de 8 a 1, contra o diploma. "O STF agiu de forma irresponsável. Com a decisão, tornou menor o jornalismo e o jornalista brasileiros, jogando no lixo uma luta de 40 anos em prol da qualificação profissional", criticou.Também contrário ao fim do diploma, o presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azêdo, afirmou que a decisão do STF representou um retrocesso para a profissão. "A formação superior qualifica o ofício. Um jornalista precisa de fundamentos técnicos e éticos que são obtidos nas universidades", comentou ele.Um dos principais responsáveis pela extinção da Lei de Imprensa, tema que era discutido pelo STF junto com o diploma de jornalista, o deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ) defendeu que seja feito um projeto a ser apresentado ao Congresso que vise a resolver a questão. "O diploma para o jornalista melhora a profissão, assim como melhorou a de advogado. Não vejo colisão entre o exercício da função e a liberdade de imprensa." O parlamentar está lendo os votos dos ministros para evitar inconstitucionalidade no projeto e vai discutir a questão com ABI e Fenaj. Um encontro entre o presidente da Fenaj e os sindicatos de jornalistas, hoje em São Paulo, deve definir ações para contestar a decisão. Andrade não descarta ressuscitar a ideia da criação de um Conselho Federal de Jornalismo, proposta que foi apresentada pela Fenaj e muito combatida. FRASESRicardo PedreiraDiretor executivo da ANJ "A lei anterior reservava somente a portadores do diploma a possibilidade de atuar como repórteres e agora, ao menos em tese, qualquer cidadão poderá ser jornalista"Daniel Pimentel SlavieroPresidente da Abert"A realidade atual não vai mudar.A presença de outros profissionais arejará as redações"

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