ANJ recebe prêmio de liberdade de imprensa e elogia Lula

Vice-presidente da ANJ reconheceu que Lula 'endossou e assumiu' os princípios da liberdade de expressão incluídos na Constituição do País

Wilson Tosta, de O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2010 | 18h44

RIO - Em nome da Sociedad Interamericana de Prensa, o vice-presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ) Júlio César Mesquita recebeu nesta quinta-feira, 17, o Prêmio ANJ de Liberdade de Imprensa, no 8º Congresso Brasileiro de Jornais, e leu discurso de agradecimento do presidente da SIP, Alejandro Aguirre. No pronunciamento, Aguirre esclareceu declarações que fizera em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ressaltando que suas críticas diziam respeito apenas a alguns aspectos da política externa seguida pelo presidente do Brasil. Ele reconheceu que Lula "endossou e assumiu" os princípios da liberdade de expressão incluídos na Constituição do País.

 

"Recentemente fiz uma crítica ao presidente Lula, depois da reunião do nosso Comitê Executivo em julho passado, em Washington e que pode ter gerado um entendimento inadequado, se isolado de seu contexto. Sei que o presidente Lula assinou a Declaração de Chapultepec em 2006, e, portanto, endossou e assumiu, assim, os princípios sagrados da liberdade da imprensa incluídos na nossa Carta Magna sobre liberdade de expressão. Ademais, repetidas vezes tem reconhecido que se não fora a liberdade imprensa, não teria chegado à Presidência do Brasil. Minha observação se referia apenas ao contexto de sua política externa, pois algumas de suas atitudes e medidas podem ser interpretadas como estando "em contradição" com sua política interna, tornando-se, por isso, alvo de críticas", afirmou.

 

No discurso de Aguirre lido por Júlio Cesar, o presidente da SIP disse que o presidente Lula "tem apoiado governos que suprimem ativamente a liberdade de imprensa" e afirmou ter-se referido a "países e presidentes" que também já critica, "em alguns casos, de forma bastante dura". Ele disse também que ainda mantém sua posição crítica. "Minhas palavras não tiveram a intenção de diminuir o papel que o presidente desempenha neste próspero País, mas sim criticar algumas das posições que ele assume na esfera internacional", ressaltou. Ele também lembrou que no Brasil ainda há problemas envolvendo a liberdade de imprensa - um deles, a censura judicial ao Estado de S. Paulo, proibido pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal, desde o ano passado, de publicar informações sobre a Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que investigou o empresário Fernando Sarney.

 

"No Brasil durante 31 anos trabalhamos com a ANJ para cumprir nossos objetivos comuns e nossas missões. Vários de vocês se lembram da reunião nacional que realizamos aqui para apresentar a Declaração de Chapultepec, que foi assinada em 1996 pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso", afirmou. " Estamos trabalhando com diretores da ANJ agora para organizar um importante fórum com os Tribunais Superiores do Brasil para discutir os obstáculos enfrentados no exercício da liberdade de imprensa e como as decisões de tribunais internacionais podem contribuir para proteger a liberdade de expressão e suprir eventuais brechas da legislação brasileira vigente."

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