ANJ protesta contra censura ao Correio

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgou nesta quinta-feira uma nota protestando contra a presença, na redação do Correio Braziliense de um oficial da Justiça e de um advogado ligado à Coligação Frente Brasília Solidária, que apóia a reeleição do atual governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PMDB).O oficial de Justiça e o advogado estiveram na redação para impedir que o jornal publicasse o conteúdo de gravações de conversas telefônicas feitas pela Polícia Federal que supostamente comprometem Roriz com acusados de grilagem de terras no Distrito Federal.Veja a seguir a íntegra da nota:?Liberdade ameaçadaA Associação Nacional de Jornais lamenta profundamente, e tem certeza de espelhar a reação da opinião pública nacional, a determinação judicial de que um oficial de justiça, acompanhado de um advogado a serviço da Coligação Frente Brasília Solidária que apóia a reeleição do atual governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, exercendo as funções de censores, acompanhassem pessoalmente a elaboração da edição de ontem do jornal ?Correio Braziliense?.O objetivo - garantir a obediência à determinação judicial que proibira a transcrição de fitas que poderiam comprometer o governador e candidato Joaquim Roriz por conta apenas de uma presunção de que haveria desobediência a essa determinação judicial - tem características ameaçadoras para a liberdade de imprensa. Esta não é uma liberdade absoluta: não inclui, por exemplo, o direito à calúnia, injúria ou difamação, e a lei prevê indenização para o dano moral que uma informação aética possa provocar.Os associados da ANJ têm o compromisso de servir à sociedade respeitando essas limitações e não se consideram acima da lei em quaisquer circunstâncias. Os jornais associados da ANJ cumprem rigorosamente os preceitos do Código de Ética da entidade que estabelece, dentre outros compromissos, a apuração e a publicação da verdade dos fatos de interesse público, não admitindo que sobre eles prevaleçam quaisquer interesses.O ?Correio Braziliense? teve negado, de forma acintosa, o direito elementar de agir de acordo com a sua visão do interesse público ? pedra basilar da liberdade de imprensa - e de assumir os riscos que a isso pudessem ser inerentes, quando a questão envolvendo o candidato Joaquim Roriz fosse julgada em última instância.A sociedade foi agredida no seu direito de ser informada. A presença física do censor numa redação de jornal pertence a um passado não muito distante que nenhum democrata deseja ver renascido no país. Entristece profundamente a ANJ - que certamente não está sozinha nessa atitude - ver a Justiça prestando-se ao papel de censora. Brasília, 24 de outubro de 2002. Diretoria da ANJ Associação Nacional de Jornais."

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