Entidades de imprensa reagem contra ação do MST que deixou repórteres reféns no Paraná

ANJ, Abraji e Abert, criticam agressão a jornalistas de TV afiliada da Band que foram cercados por integrantes do movimento ao cobrirem uma invasão em Quedas do Iguaçu

O Estado de S. Paulo

10 de março de 2016 | 10h00

As entidades representantes do setor de comunicação e da imprensa se manifestaram nesta quinta-feira, 10, condenando a ação de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra que fizeram reféns nessa quarta-feira, 9, uma repórter e um cinegrafista da TV Tarobá, retransmissora da TV Bandeirantes em Cascavel, no Paraná.

Em nota, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) afirma que atos são fruto da intolerãncia. "Essa escalada de agressões e violência contra o trabalho jornalístico é fruto da intolerância, autoritarismo e impunidade", afirma a associação. "Em mais um episódio criminoso, os integrantes do MST atentaram contra a integridade física dos jornalistas, impediram que eles exercessem sua atividade profissional e, durante cerca de vinte minutos, os mantiveram reféns", diz o texto.

A ANJ afirmou ainda que aguarda as investigações do episódio e que "a justiça prevaleça". Segundo divulgou o site da emissora, os dois jornalistas foram cobrir uma invasão do MST em uma propriedade rural em Quedas do Iguaçu, quando cerca de 50 integrantes do movimento "armados com escopetas, facões e pedras", se aproximaram do carro da emissora.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) também divulgou nota nesta quinta-feira em que condena as ações contra jornalistas no Paraná. Segundo o texto, é preciso identificar os responsáveis por atacar, agredir ou tentar impedir o trabalho de jornalistas. "Sem prejuízo da liberdade de manifestação política, é inaceitável o uso da violência para tentar intimidar e constranger o trabalho de repórteres que cumprem o dever de informar a sociedade e, por isso, devem ser respeitados", diz trecho do texto.

As associações estão acompanhando com preocupação a escalada de violência contra os profissionais de imprensa, acrescentou o presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), Daniel Slaviero, em evento com o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Edinho Silva. Ele destacou que o Brasil passou a ocupar o 5º lugar no ranking de países mais perigosos para o exercício do jornalismo.

"Está tendo um equívoco e estão confundindo veículos de comunicação como protagonistas do processo político e não os são". Segundo ele, 116 casos de agressões e oito mortes foram registrados em 2015. “Nos primeiros 60 dias deste ano, já são 57 incidentes com a imprensa”, afirmou.

Segundo o divulgado pela TV Tarobá, o grupo ameaçou quebrar os equipamentos e gravação e celulares "além de coagirem os profissionais". A equipe foi obrigada a seguir os integrantes do movimento até um acampamento onde teriam recebido novas ameaças de agressão física. Os repórteres não revidaram e depois de uma reunião entre os Sem Terra, foram liberados.

A ação durou cerca de 20 minutos. A Polícia Militar de Quedas do Iguaçu foi comunicada do ocorrido, mas disse que não tem acesso as propriedades pra poder tomar alguma atitude.

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