ANJ condena invasão de perfis de jornalistas

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) afirmou ontem, em nota, que "condena a alteração dos perfis dos jornalistas Míriam Leitão, colunista de O Globo, e de Carlos Alberto Sardenberg, da rádio CBN e da Rede Globo, na enciclopédia virtual Wikipedia, a partir da rede interna da Presidência da República".

O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2014 | 02h00

Assinado pelo vice-presidente da ANJ, Francisco Mesquita Neto, também responsável pelo Comitê de Liberdade de Expressão da entidade, o texto diz ainda que "as alterações, efetuadas no mês de maio do ano passado, continham críticas e afirmações inverídicas e desqualificadoras em relação aos dois profissionais". A entidade diz esperar "que o Palácio do Planalto apure o ocorrido e tome as devidas providências".

O episódio, divulgado ontem pelo jornal O Globo, mereceu ao longo do dia duas notas da Presidência da República. Na primeira, esta considera "lamentável que o endereço IP do Palácio do Planalto tenha sido usado" para se alterar os perfis. O texto lembra que a liberdade de expressão na internet é "um direito de todos", mas é "absolutamente condenável a utilização de equipamentos públicos com o intuito de atacar a imagem de qualquer cidadão". O Planalto informa ainda que as modificações nos perfis dos dois jornalistas "foram feitas por um número de rede de internet do Palácio que também funciona para a rede wi-fi". Por isso, "qualquer pessoa, mesmo em visita ao Palácio do Planalto, poderia em tese ter realizado as alterações".

Apuração. Uma segunda nota da Presidência, no final da tarde, fala em apuração do episódio. Ela diz que "foi realizada a notificação de incidente e, a partir dos elementos colhidos pela Diretoria de Tecnologia (da Presidência), será instalado no âmbito da Secretaria de Administração o procedimento apuratório adequado", que terá "prazo de 60 dias para sua conclusão".

A intervenção foi feita, segundo o jornal O Globo, pelo IP 200.181.15.10, em maio do ano passado. O IP é um código digital que permite saber de onde partiram as mudanças. Houve uma primeira invasão, dia 10 de maio, e outra no dia 13. No perfil de Miriam foram acrescentadas, entre outras frases, uma que a acusa de fazer "uma defesa apaixonada" do banqueiro Daniel Dantas. Nas inserções negativas contra Sardenberg se diz, entre outras coisas, que é "irmão de Rubens Sardenberg, economista-chefe da Febraban".

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