Anita Prestes vai doar indenização ao Instituto do Câncer

A professora de História do Brasil da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Anita Leocádia Prestes, vai doar os R$ 100 mil de indenização que recebeu do governo federal ao Instituto do Câncer. Ela foi beneficiada pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e, além da reparação econômica, teve reconhecido o período em que foi impedida de trabalhar por motivação política. Anita Prestes fará a doação porque acha injustos os critérios adotados pela comissão. "Os que precisam muito recebem pouco e os precisam pouco recebem muito. O que eu tinha solicitado era a contagem do meu tempo de serviço, pois eu fiquei muito tempo sem poder trabalhar por causa da perseguição política. Para mim seria muito desagradável receber esse dinheiro, então eu vou doar para o Instituto do Câncer, que é uma instituição muito séria e sei que vai usá-lo da melhor forma possível", afirmou. História Filha de Luiz Carlos e Olga Prestes, e nascida em 27 de novembro de 1936, na prisão feminina de Barnimstrasse (Alemanha), Anita foi afastada da mãe e entregue à avó paterna, Leocádia Prestes, ao final da fase de amamentação. Durante a década de 70, ela foi indiciada, denunciada, julgada à revelia e condenada pela Justiça Militar. A vida de Anita Leocádia Prestes é considerada uma continuação da história dos pais. "Meu pai era um homem muito firme, mas também uma pessoa muito humana, muito simpática, tinha uma memória maravilhosa. Já a minha mãe, eu não a conheci. Mas por tudo que me contaram ela também era uma pessoa maravilhosa, uma revolucionária sem perder a ternura", disse Anita, ao ser perguntada sobre as lembranças e as opiniões sobre seus pais. "Minha avó, Leocádia, era uma mulher extremamente decidida que percorreu a Europa inteira fazendo campanha para a libertação dos presos políticos e foi com essa campanha que ela conseguiu que a Gestapo me entregasse a ela", acrescentou. "Meus pais foram pessoas que dedicaram suas vidas à justiça social e a uma vida melhor para todas as pessoas do mundo, não só ao povo brasileiro", disse Anita. "Sou uma pessoa privilegiada, tive a sorte de ter conseguido sair do País em 1973, tive a solidariedade da antiga Rússia. Eu sempre recebi muita solidariedade não só do Brasil como do mundo inteiro", disse. "Como sou filha de brasileiro nascida no exterior e até meus 21 anos tive dupla cidadania, com essa idade tive optar. Então, optei por ser brasileira. Minha pátria é o Brasil", acrescentou. As informações são da Radiobrás.

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