Anistiados estão hoje no governo

Franklin Martins, Dilma Rousseff e Carlos Minc foram beneficiados

Marcelo de Moraes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

23 de agosto de 2009 | 00h00

Trinta anos depois da adoção da Lei de Anistia, uma geração de integrantes dos grupos de esquerda que combateram o regime militar (1964-1985) ocupa hoje espaços importantes dentro do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Alguns, como os ministros do Meio Ambiente, Carlos Minc, e da Secretaria de Comunicação, Franklin Martins, puderam retornar do exílio graças à lei. Outros, como a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, que foi presa e torturada por conta de suas atividades clandestinas, não chegaram a ir para o exílio. Mas somente com a anistia puderam voltar às atividades normais.Mesmo depois de três décadas, a aprovação da Lei de Anistia permanece viva na lembrança de quem pôde se beneficiar dela. Morando em Lisboa, na época, o ministro Carlos Minc lembra que foi avisado da notícia por um jornalista português. "Em Portugal, tínhamos um comitê de anistia, com a participação de exilados, artistas e políticos locais importantes, como Mário Soares (ex-presidente e ex-primeiro ministro)." Para Minc, a anistia encerraria um período de exílio de nove anos, já que partira do Brasil em junho de 1970, com os outros 39 militantes presos pelo governo militar em troca da libertação do embaixador alemão Ehrenfried von Holleben, sequestrado numa ação da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e da Ação Libertadora Nacional (ALN). Outros integrantes do governo foram favorecidos pela anistia em condições mais adversas. Em agosto de 1979, o atual presidente da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Haroldo Lima, estava preso na Bahia, por causa de sua militância clandestina no PC do B.E naqueles dias, na penitenciária Lemos de Brito, em Salvador, ele viveu momentos de tensão semelhantes aos do período de clandestinidade, porque ajudava na preparação da fuga de Theodomiro Romeiro - outro preso político, que não seria beneficiado pela anistia.Theodomiro fugiu e foi para o exterior cinco dias antes da votação da lei - que beneficiou Haroldo Lima.

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