Anistiado político recebe indenização recorde de R$ 2,54 mi

A maior indenização concedida até agora a um anistiado político no Brasil chega a R$ 2,54 milhões, além de uma pensão mensal de R$ 12,3 mil. O beneficiário é José Caetano Lavorato Alves, um sindicalista cassado em 1988, ex-piloto da Varig, que já recebe desde 1994 uma outra pensão de R$ 6,6 mil pelo INSS. No total, vai receber R$ 18.936,31 por mês. Petista, Lavorato é ligado à Secretaria do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade da prefeitura de São Paulo. Coordena o "Programa Central de Crédito São Paulo Confia" e dirige a Associação Brasileira de Gestores e Operadores de Microcrédito (Abcred). O ex-piloto, presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas de 1980 a 1995, não chegou a perder os seus direitos políticos. Foi demitido da Varig com base num decreto do período militar que autorizava a demissão de sindicalistas dos setores considerados essenciais, como os trabalhadores da área de energia elétrica, petróleo ou viação aérea, que entrassem em greve."Como muitos dirigentes, fui demitido, não voei mais e mudei de profissão", disse. Sem conseguir emprego, decidiu pedir a aposentadoria com base na Lei da Anistia. Lavorato atribui a decisão da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça à interpretação correta da legislação. "A nova lei prevê que o anistiado deve receber como se estivesse na ativa", argumenta o ex-sindicalista. "É responsabilidade da comissão a forma como interpreta a lei", sustenta.

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