Anistia vê direitos violados no País

Organização critica projeto de crescimento econômico do Brasil, citando o PAC

Daniela Milanese, Talita Figueiredo e Silvia Amorim, O Estadao de S.Paulo

28 de maio de 2009 | 00h00

O projeto de crescimento econômico do Brasil esbarra em novos casos de violações dos direitos humanos, além dos abusos já existentes, aponta a Anistia Internacional. "Na política de expansão econômica do Brasil, como no próprio PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), há falta de consideração das necessidades das populações mais carentes", afirmou o pesquisador da Anistia para as Américas, Tim Cahill. Os casos mais graves, afirma Cahill, estão no Rio, com operações policiais "violentas e discriminatórias". Ele avalia que a construção de muros em favelas, pelo governo de Sérgio Cabral, é "um símbolo da maneira como o Estado tem tratado o problema das comunidades mais vulneráveis". "É a exclusão da comunidade (da favela) do resto da sociedade."Ele também criticou a Operação Saturação, do governo José Serra, na favela Paraisópolis, em São Paulo. Para Cahill, o problema é que as comunidades são ocupadas temporariamente pela polícia sem um pensamento estratégico e, depois que ela sai, os problemas voltam.REAÇÃOO governador do Rio, Sérgio Cabra, classificou como "covardia" a posição da Anistia. "Os muros não excluem. Eles são, isto sim, os muros da inclusão. A demagogia de achar que muro impede o ir e vir é uma grande covardia com quem mora nessas comunidades. Todo mundo que diz isso, na sua casa tem muro, tem uma divisão de áreas."Para ele, os muros são, na verdade uma garantia para as comunidades. "Se você deixa a expansão acontecer, amanhã a quantidade água, de esgoto etc. que você pôs lá não é suficiente porque dobra o número de moradores e tudo isso se perde."A Secretaria de Segurança de São Paulo também repudiou a crítica sobre a Operação Saturação. Informou que ela foi a primeira fase de um projeto maior, a Virada Social, que prevê 130 ações de diversas áreas da administração na favela Paraisópolis.O Estado procurou o secretário especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannucchi, mas ele não foi encontrado.

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