Anistia Internacional vê impunidade em absolvições no caso Carajás

A Anistia Internacional, em um comunicado divulgado quinta-feira, em Londres, condenou a absolvição dos policiais militares acusados de participar da morte de 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás (PA), em 1996. A organização não-governamental (ong) alerta: o caso é a prova de que a impunidade prevalece no País e que existem graves problemas no sistema judiciário.Dos quase 150 policiais militares envolvidos na operação apenas dois oficiais foram condenados - o coronel Mario Pantoja e o major José Maria Oliveira. Para a Anistia, essas condenações foram apenas um "gesto simbólico, dada a inabilidade das investigações e do processo judicial de identificar os responsáveis pelos disparos contra os sem-terra". A ong lembra ainda que nenhuma ação política foi tomada contra o governador do Estado do Pará e do secretário de Segurança Pública. A Anistia apontou alguns erros no processo judicial. Entre eles destaca a falta de proteção às testemunhas que recebiam ameaças, a manutenção dos acusados no quadro da polícia do Pará e a decisão de julgar 127 soldados em uma só audiência. "O número de erros no processo para indicar os responsáveis pelo massacre tem dado espaço para que os parentes das vítimas acreditem que o objetivo da polícia e dos sistema judiciário era deixar o caso impune", afirmou a Anistia. A ong lembra ainda que o número de assassinatos na área rural do Pará aumentou no último ano e pede providências ao governo federal.

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