Anistia a Dirceu prejudica só Legislativo, diz cientista político

A eventual aprovação de um projeto de anistia ao ex-ministro e deputado cassado José Dirceu (PT-SP) arranharia outra vez a imagem do Congresso Nacional, mesmo com a nova legislatura, além de desgastar publicamente o Partido dos Trabalhadores. A opinião é do cientista político Francisco César Pinto da Fonseca, professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), ao delinear o foco de uma nova crise na imagem do PT e do Legislativo, sem comprometimento das tramitações de leis e votações no Congresso Nacional e nem tampouco do governo Lula. "O Congresso Nacional, de certa forma, deu uma resposta à sociedade ao punir José Dirceu e, certamente, terá sua imagem novamente arranhada se aprovar a anistia", disse o especialista à Agência Estado. "O novo presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), teria de arcar com essa responsabilidade de anistiar Dirceu, prejudicando a imagem dele e do PT", acrescentou. Segundo Fonseca, a aprovação da anistia traria "cisões políticas" no interior do governo Lula, mas sem que isso comprometesse, de toda forma, a administração federal. "Não acredito que a anistia e a disputa política por ela deflagrada geraria contaminação de decisões, no governo ou no Congresso, mas haveria cisão política no governo, pois apenas a parcela paulista do PT deseja ver Dirceu anistiado", salientou. Mesmo que o projeto de anistia ganhe força popular, e seja aprovado pelo Congresso, o cientista político não vê riscos de turbulência política para o governo Lula. Até as críticas ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, feitas pelo ex-ministro no último sábado, em encontro do Campo Majoritário em São Roque (SP), não trariam atrito ao governo. "As críticas que José Dirceu fez ao BC não destoam daquelas feitas pelo vice-presidente José Alencar, pelas centrais sindicais ou pelo ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). Dirceu é apenas uma voz, que já esteve no poder e nada pôde fazer para alterar a atuação do Banco Central", analisou Fonseca.

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