Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Anistia a caixa 2 foi discutida em reunião com Geddel e almoço do Centrão

Líderes da base aliada e ministro da Secretaria de Governo articularam mudanças no texto das medidas de combate à corrupção

Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

23 de novembro de 2016 | 11h49

BRASÍLIA - A articulação para incluir a anistia ao caixa 2 e o crime de responsabilidade para magistrados e membros do Ministério Público no pacote de medidas de combate à corrupção também foi discutida em reunião no Palácio do Planalto entre líderes de partidos da base aliada com o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima (PMDB), e durante o almoço do Centrão - grupo de 13 siglas liderado por PP, PSD e PTB.

Segundo apurou o Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real do Estado, em encontro com Geddel ontem, líderes partidários disseram ao ministro que não aceitariam o texto do relator do pacote, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Afirmaram ainda que iriam articular mudanças no texto, como a inclusão da anistia e do crime de responsabilidade. Conforme relatos, o ministro, responsável pela articulação política do governo, não teria se oposto. Procurado, Geddel não se pronunciou até o fechamento da matéria.

Embora o objetivo principal do encontro fosse discutir a sucessão para presidência da Câmara, líderes do Centrão também conversaram sobre a articulação para o pacote anticorrupção durante o almoço do grupo nessa terça-feira, 21, no apartamento do líder do PTB, deputado Jovair Arantes (GO). A discussão principal era sobre quem apresentaria as emendas que estabelecerá a anistia ao caixa 2 e o crime de responsabilidade para juízes.

Líderes disseram, então, que já estava combinado que o deputado José Carlos Araújo (PR-BA) seria o responsável. Algumas lideranças, porém, disseram não confiar no parlamentar baiano, que é presidente do Conselho de Ética da Casa. Presente no encontro, o ministro Gilberto Kassab (Comunicações), que comanda o PSD (antigo partido de Araújo), tentou acalmar os deputados e disse que "põe a mão no fogo" pelo deputado. Procurado, Kassab negou que tenha dito a frase sobre Araújo. 

Topou. Araújo contou que foi procurado por um grupo de líderes, cujos nomes não revelou, para saber se aceitaria ser o novo relator na comissão que debate o pacote anticorrupção, caso o parecer de Lorenzoni fosse derrotado, ou apresentar emendas no plenário para anistia e crime de responsabilidade. "Eu disse que topava, porque, pelo que a imprensa divulgou, o parecer dele (Onyx) está muito ruim", afirmou ao Broadcast Político.

O presidente do Conselho de Ética foi indicado para a comissão na última quinta-feira, 17, no lugar da deputada Gorete Pereira (PR-CE). Segundo o parlamentar baiano, o convite para que a substituísse a deputada cearense foi feito pelo líder do PR na Câmara, Aelton Freitas (MG), quando os dois se encontraram na última quinta-feira, 17, na sede do partido, localizada em um prédio no setor comercial Sul, em Brasília.

Acordo. Araújo, porém, não deve precisar apresentar novo parecer na comissão sobre o pacote anticorrupção. Isso porque ontem, após várias horas de reunião na residência oficial do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o relator fechou acordo com líderes partidários. Ele aceitou fazer mudanças em seu texto. Em troca, deputados aceitaram aprovar seu relatório na comissão e só incluir os temas polêmicos durante a votação no plenário da Casa.

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