Aníbal exige lealdade de tucanos ao governo

O presidente nacional do PSDB, José Aníbal (SP), disse a quatro senadores tucanos que prefere perder quadros do partido a comandar uma legenda desleal ao governo Fernando Henrique Cardoso. A conversa aconteceu quando Aníbal manteve a ameaça de expulsar os senadores Osmar Dias (PSDB-PR) e Álvaro Dias (PSDB-PR) do partido, caso eles não retirem suas assinaturas do requerimento pró-CPI da Corrupção. Embora Aníbal estivesse respaldado pela Executiva Nacional do partido, que se reuniu ontem à noite para tratar do assunto, os irmãos Dias argumentaram que não houve fechamento de questão e, muito menos, votação de todos os integrantes da direção partidária. No encontro de hoje, que contou com a presença dos senadores Geraldo Melo (PSDB-RN) e Lúcio Alcântara (PSDB-CE), além dos dois paranaenses, Aníbal manteve-se irredutível, abrindo uma crise no PSDB. O deputado, por sua vez, ouviu críticas ásperas de Osmar Dias que, inclusive, perguntou se o Palácio do Planalto estava por trás dessa retaliação. Aníbal negou qualquer interferência do presidente. Dirigindo-se ao presidente do PSDB, eleito há menos de um mês, Osmar cobrou: "Quando você veio buscar o nosso voto para se eleger presidente do partido, você já sabia que tínhamos assinado o requerimento, mesmo assim quis os votos do Paraná". O senador perguntou também, segundo relato dos presentes, se Aníbal teria medido as conseqüências da expulsão dos senadores para o PSDB no Paraná. "Você vai ganhar um belo discurso", ironizou o deputado, ao que Osmar respondeu: "posso ganhar um belo discurso mas tenho caráter, e vou continuar defendendo minhas posições". Tanto Osmar quanto Álvaro consideraram "pouco inteligente" a posição de Aníbal, já que o PSDB estaria abrindo nova crise, e o partido poderia se esfacelar no Paraná. Aníbal foi claro, ao afirmar que prefere um partido leal para com o governo. Logo após a reunião os dois senadores receberam solidariedade da bancada federal do PSDB paranaense, formada por oito deputados, que ameaçam seguir o caminho dos senadores. Para evitar um processo de expulsão, que é longo e desgastante, a tendência de Álvaro e Osmar é deixarem o partido. Osmar já foi sondado por partidários do PT e PPS.

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