Anibal diz que PSDB vai ao segundo turno em 2002

O deputado paulista José Anibal, presidente nacional do PSDB, afirmou que o seu partido entrará na disputa pela sucessão de Fernando Henrique para ganhar e "não para marcar posição". Segundo disse, o candidato governista tem tudo para ir para o segundo turno em 2002, já que a oposição se apresentará dividida e dificilmente se unirá para o pleito. Entrevistado no ?Roda Viva?, da TV Cultura, Anibal acentuou que o PSDB é indissociável do presidente Fernando Henrique Cardoso, a quem caberá no momento certo, possivelmente no final do ano, ou no início de 2002, coordenar a escolha do nome de seu sucessor. "É uma ilusão imaginar que nós possamos construir uma candidatura dissociada deste governo. A candidatura será de continuidade àquilo que estamos fazendo ao longo dos últimos seis anos."Lembrando MottaFalando sobre o que disse o falecido ministro Sérgio Motta, para quem o partido dos tucanos precisava permanecer no poder por 20 anos para transformar o País numa social-democracia, Anibal vaticinou: "Não sei se vamos chegar a 20, mas certamente mais de oito". Ele admitiu o desgaste sofrido pelo governo com a crise energética, mas garantiu que a situação se reverterá nos próximos meses, com os eleitores reconhecendo a imensa mudança operada no Brasil após a conquista da estabilidade econômica.O favoritismo da oposiçãoO presidente nacional do PSDB explicou que tanto o governo como o seu partido e o PFL deixaram de lado a passividade com que vinham enfrentando a subida da oposição nas pesquisas eleitorais, lembrando que em outras oportunidades o governo também teve a sua popularidade em queda.Apuração da corrupçãoJosé Anibal afirmou que o presidente Fernando Henrique jamais deixou de apurar qualquer denúncia de corrupção no governo, apesar do discurso contrário da oposição. "Nós somos a favor de todas as apurações, e nunca se apurou tanto no Brasil, nunca foi tão transparente a ação do governo como é hoje. E, quando não é, a imprensa dá em cima, a oposição fiscaliza, denuncia. Enfim, nós vivemos numa situação de democracia como nunca tivemos antes.Sete anos contínuos, de estabilidade, de governabilidade e, com isso, conseguimos chegar onde nós já estamos."Falsa esperançaSegundo o dirigente tucano, a oposição está com um discurso falso, dando a entender que representa uma esperança para a população. "Aí, pelo menos é o que o PT anda dizendo: ´nós vamos melhorar salário, nós vamos distribuir renda, nós vamos isso e aquilo outro´. Não é essa a questão. O que mais amadureceu no Brasil nesta última década, foi a sociedade. Ela sabe que, hoje, ajuste fiscal, contas equilibradas, inflação sob controle, não é um problema ideológico, é uma necessidade fundamental para o Brasil ter desenvolvimento e poder combater a exclusão. Em cima disso, você não pode ter a facilidade de criar esperanças, ou querer criar esperanças numa disputa eleitoral, com base em meros discursos."O ?outro passo?Anibal disse ter visto o presidente nacional do PT, o deputado paulista José Dirceu, pregar no ?Roda Viva? da semana passada um desenvolvimento "para dentro", com vistas ao mercado interno. "O que quer dizer isso hoje, num mundo globalizado? Nada", retrucou. "Hoje, crescer para dentro ou crescer para fora, é um processo. Ou você é competitivo, para crescer aqui e crescer lá fora, ou você não é. São velhas idéias. Eles ainda não conseguiram, ou estão chegando onde nós já estamos. Mas não vão conseguir dar o outro passo."Caso José InácioAnibal revelou que, no máximo em 10 dias, o partido definirá a expulsão ou não do partido do governador do Espírito Santo, José Inácio, acusado de envolvimento em corrupção naquele Estado. O deputado Alberto Goldman (PSDB-SP) é o relator do processo, que será analisado nesta terça-feira pela executiva do partido.

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