Angra poderá ter obras contra ataque aéreo

O diretor-presidente da Eletronuclear, Flávio Decat de Moura, informou, em audiência pública promovida pela Comissão de Minas e Energia da Câmara, que, se houver necessidade, serão feitas obras no complexo nuclear de Angra I e Angra II, em Angra dos Reis (RJ), para proteger as instalações contra eventual atentado terrorista por avião. Decat explicou que foram feitos, na Alemanha, testes reais mediante a utilização de um aparelho do porte de um Boeing, e o resultado comprovou que, para suportar o impacto de uma aeronave a uma velocidade de cerca de 800 km por hora, a primeira parede da usina teria que ter espessura de 80 centímetros. Segundo ele, a espessura da primeira parede de Angra I é de 75 centímetros e a de Angra II, de 60 centímetros. Decat disse que há uma preocupação mundial quanto a atentados terroristas a unidades nucleares. Ele relatou que, no dia 11 de setembro, quando houve os atentados nos Estados Unidos, ele participava, em Paris, de um evento sobre energia nuclear. Os executivos de usinas nucleares dos EUA, presentes ao encontro, tiveram que retornar para casa a fim de avaliar a segurança das unidades nucleares norte-americanas. Ele disse, também, que em virtude dos atentados do dia 11, por questão de segurança, as visitas a Angra I e II estão sendo dificultadas, mediante seleção dos visitantes. Ele disse, também, que o vazamento de 22 mil litros de água radiativa em Angra I vai levar a Eletronuclear a mudar toda a estrutura de comunicação com a sociedade. Segundo Decat, face às queixas de que setores da sociedade não foram informados da anomalia em tempo hábil, deverá haver uma revisão nos critérios de preparação de relatórios e de comunicação de ocorrências. Ele esclareceu que essa revisão será decidida em comum acordo com a Comissão Nacional de Energia Nuclear. Angra IIIA Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados realizou hoje uma audiência pública sobre a conveniência ou não de conclusão das obras da usina nuclear Angra III. Num discurso enfático, momentos antes do encerramento, o deputado Eliseu Resende (PFL-MG), membro da comissão e ex-presidente de Furnas Centrais Elétricas S.A., afirmou que cabe ao governo federal decidir se o orçamento da União comporta a continuidade das obras de Angra III, avaliadas em US$ 1,8 bilhão. Segundo Resende, não tem mais sentido o debate de ser contra ou a favor da usina, se o Congresso Nacional já deu sinal verde para tocar a obra, ao incluir no Plano Plurianual de Investimentos (PPA) 2000-2003, a previsão de investimentos de R$ 2,2 bilhões.

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