Angola cresce enquanto países ricos trilham caminho da insensatez, diz Dilma

Presidente encerrou em Luanda um giro pela África, que passou ainda por Moçambique e África do Sul.

Daniel Gallas, BBC

20 de outubro de 2011 | 18h18

A presidente Dilma Rousseff disse nesta quinta-feira que países como o Brasil e Angola estão crescendo por terem adotado políticas de inclusão social e geração de emprego, e criticou os países desenvolvidos por trilharem "o caminho da insensatez".

"Neste momento em que o mundo se debate numa das maiores crises econômicas da história, vosso país segue crescendo", disse Dilma em discurso na Assembleia Nacional, em Luanda. A presidente encerrou nesta quinta-feira em Angola um giro de quatro dias pela África, depois de ter passado também por Moçambique e África do Sul.

Ela discursou diante de parlamentares angolanos e do presidente José Eduardo dos Santos, com quem teve uma reunião de trabalho e um almoço em seguida.

"Crescimento que é fruto da tenacidade de seu povo e da responsabilidade de seu governo, que vem adotando políticas equilibradas, enquanto partes do mundo desenvolvido continuam a trilhar o caminho da insensatez."

"Angola, como o Brasil, apostou no crescimento, em políticas contra-cíclicas, em privilegiar ações sociais de combate à pobreza, no desenvolvimento e na criação de empregos."

"Nossos países fugiram do receituário conservador que também conhecemos na América Latina por mais de 20 anos. Este momento exige políticas macroeconômicas sadias e socialmente inclusivas para proteger nossas nações do contágio, da recessão e do desemprego."

Mão de obra

Dilma repetiu a defesa da indústria do Brasil que havia feito em Moçambique, afirmando que a maioria das empresas brasileiras em Angola contrata mão de obra local.

"Nós consideramos que as empresas brasileiras que trabalham em Angola tenham de contratar empregar e incentivar trabalhadores angolanos, dirigentes angolanos, engenheiros angolanos", afirmou a presidente.

Em Angola, muitos empresários locais criticaram o fato de empresas chineses preferirem trazer empregados da China para o país, em vez de usar a mão de obra local.

O presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, que acompanhou o discurso de Dilma na Assembleia Nacional, disse que apesar das críticas de alguns angolanos ao modelo chinês, ele não considera que exista concorrência direta em Angola entre chineses e brasileiros. No entanto, ele ressalta que o modelo brasileiro é mais beneficiente para o país.

"A China tem o espaço dela, o Brasil tem o seu espaço, até porque o Brasil atua de uma forma diferenciada. A empresa brasileira quando vem para cá, ela contrata a mão de obra [local] e desenvolve a cadeia. Os chineses não fazem isso", disse o executivo da Odebrecht, empresa que é a maior empregadora privada de Angola, com 17 mil funcionários. Segundo ele, 93% dos empregados da Odebrecht no país são angolanos.

"Se você vai em um projeto desenvolvido pela China, quase do porteiro ao engenheiro [é chinês]. No nosso, só tem angolano. Tem, talvez, dois brasileiros por projeto. Nós trazemos para implementar a nossa cultura empresarial, mas na medida em que vai evoluindo, só tem angolano."

Marcelo Odebrecht também destaca outro fator que beneficia as relações entre Brasil e Angola. Muitas empresas, como a Odebrecht, se instalaram em Angola há décadas, ainda durante a guerra civil, quando muitos grupos estrangeiros temiam investir no país. Isso deu aos brasileiros uma vantagem competitiva depois da pacificação, em 2002.

"Nós estamos aqui desde o período da guerra, há 27 anos. É visível o crescimento do país depois da guerra. Nós estavamos estabelecidos, tinhamos confiado no país mesmo durante a guerra, e várias empresas vieram se instalar aqui conosco. Quando acabou a guerra, nós já estávamos instalados aqui. Então facilitou muito. O governo brasileiro sempre manteve uma relação muito importante e boa com Angola." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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