Vagner Casaes
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Angelo Coronel quer ‘mudar a cara do Senado’ para que eleitor ‘tire selfie’ com políticos

Candidato avulso do PSD se lançou candidato à Casa; parlamentar não tem apoio oficial do partido

Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2019 | 21h34

BRASÍLIA -  Recém-eleito pela Bahia, o senador Angelo Coronel (PSD-BA) surpreendeu os colegas de partido e da Casa ao se lançar como candidato à Presidência do Senado ainda antes de assumir o mandato, em sua estreia no Congresso Nacional. O parlamentar ainda não tem o apoio oficial  do partido, que deve deliberar sobre o assunto na terça-feira, 29, mas já ensaia até uma candidatura avulsa. Um de seus objetivos, diz, é “mudar a cara” do Senado para que os parlamentares sejam alvos de “selfie” da população em vez das tradicionais vaias.

“O Parlamento não pode ficar como está. Hoje tem deputado e senador que não pode colocar um broche e sair na rua para cortar cabelo que é motivo até de vaia. Eu quero que, num médio espaço de tempo, a gente possa sair na rua e ser chamada pra fazer uma selfie e não para receber uma vaia”, afirmou. “Minha candidatura visa mudar a cara do Senado, com inovação. Quero transformar o Senado numa casa independente, evidentemente isso não significa ser oposição, mas manter a harmonia com os poderes. Não podemos conceber que o Poder Judiciário interferia muito na Casa Legislativa. Eu acho que cada poder ter sua prerrogativa, eu vou defender essa autonomia da Casa”, disse.

Outra de suas bandeiras é a que vem chamando de “ministérios paralelos”. Segundo ele, funcionaria assim: o Senado Federal escolheria 22 parlamentares para terem uma papel complementar aos dos ministros de cada área. A ideia é que sejam escolhidos senadores com conhecimento específico da área. Esse grupo teria papel de fiscalizar as ações do ministro, fazer críticas e sugerir medidas a serem adotadas pelo governo. 

“O ministério paralelo já existe em vários países do mundo, é uma prática do parlamentarismo. O que significa: se você tem o ministro da Economia, Paulo Guedes, o Senado vai designar um senador, eleito pela comissão correspondente, que tenha conhecimento de economia para fazer o contraponto ao ministro. Não significa fazer oposição, mas levar propostas construtivas e também criticar”, explicou. “Ninguém pode se achar o reitor da Universidade de Cristo ou o todo-poderoso da área. Eu acho que nós vamos contribuir com o presidente da República e com a gestão dos ministros. O Senado tem que ter papel preponderante, não pode ficar só a reboque do que vem”, defendeu.

Apesar das intenções, Angelo Coronel precisa do respaldo do partido para se lançar oficialmente como candidato à Presidência do Senado. O PSD deve se reunir nesta terça-feira, 29, para discutir o assunto. Caso a bancada não o apoie, ainda assim, ele deve optar por uma candidatura avulsa. 

“Eu defendo que todos os 81 senadores têm condição de ser presidente independente de ter um mandato, dois ou três. Eu acho que essa filosofia de que senador de primeiro mandato não pode ser presidente da Casa não existe. Isso é coisa daqueles que se acham do Senado e querem continuar assim. Sou contra essa prática e defendo sempre que todos têm condição”, disse. “Se o partido achar que não deve me lançar candidato, vou respeitar, mas eu entendo que vários senadores estão incentivando minha candidatura, então quero contribuir. Não vim da Bahia até aqui, com quatro milhões de votos, para ser figurante”.

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