Anemia e desnutrição afetam crianças de Brasília

O Distrito Federal tem a maior renda per capita do País, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar disso, a periferia da capital federal tem índices de saúde de países de Terceiro Mundo. A constatação é de uma pesquisa de voluntários arregimentados pelo Laboratório Sabin, divulgada esta semana, que revela: 74% das crianças da periferia de Brasília sofrem de anemia, desnutrição e estão contaminadas por algum tipo de parasita. Até mesmo no Lago Sul, um dos bairros nobres da capital, 78% das crianças de uma creche ? freqüentada por filhos de domésticas e trabalhadores na região ? têm verminose. Na pesquisa, foram examinadas 703 crianças de 11 creches. ?A situação é de calamidade pública?, diz a famacêutica-bioquímica Janete Vaz, que participou do levantamento. Para traçar o perfil epidemiológico das crianças, os voluntários coletaram sangue, fezes e urina. O resultado será enviado ao governo do DF para a adoção de medidas contra a situação. Mas, em alguns casos, já foram tomadas medidas. Há um ano, 91% das 150 crianças da Creche Tia Angelina, no Varjão ? bairro com 4 mil habitantes na periferia de Brasília ?, estavam anêmicas, desnutridas e com vermes. A partir dos resultados, as crianças passaram a ser tratadas no posto de saúde.Resultados ? ?A vida das crianças é outra?, conta a diretora da creche, Nair Queiroz Pessoa. Na época em que os voluntários fizeram os primeiros exames, algumas crianças necessitavam até de cuidados médicos. A mudança não foi fácil. A creche, instalada em três barracos, atende 120 crianças de famílias pobres, que ficam das 7 às 18 horas e recebem três refeições, lanches e são alfabetizadas. Com dez anos de funcionamento, ela não tem ajuda financeira do governo e é mantida com doações da própria comunidade e de pessoas de outras regiões de Brasília. Em Samambia, maior cidade-satélite de Brasília, o levantamento mostrou que 36% dos meninos e 50% das meninas têm baixo peso e anemia. ?É uma situação delicadíssima?, afirma a médica Luciane Naves, para quem o elevado índice de contaminação é resultado da falta de saneamento básico e do pouco cuidado com os hábitos de higiene.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.