Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Anel para Adriana não foi presente, foi compromisso, diz Cavendish

'As coisas se coincidem, o anel e o Maracanã', disse em depoimento; a joia foi comprada em Nice, no sul da França, e custou 220 mil euros

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2017 | 17h36

RIO - O empresário Fernando Cavendish, da Delta Construções, disse nesta segunda-feira, 4, ao juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, que o anel de diamantes que comprou para a ex-primeira dama do Rio, Adriana Ancelmo, "não foi um presente, mas um anel de compromisso". O anel foi comprado em Nice, no sul da França, e custou 220 mil euros (pouco mais de R$ 800 mil, ao câmbio atual).

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O empresário relatou que foi levado à loja pelo próprio então governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que sugeriu que ele comprasse a joia como presente de aniversário para Adriana. Em contrapartida, Cavendish disse que a empresa se envolveu nas negociações da licitação para as obras do Maracanã, em cujo contrato teve 30% de participação no contrato, decididos por Cabral.

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"As coisas se coincidem, o anel e o Maracanã", contou Cavendish. "Ele entrou na joalheria e disse que estava dando presente a Adriana para a comemoração  de aniversário. E disse: estou presenteando a minha esposa e gostaria que você pagasse. Eu paguei, e o valor de fato foi um valor extremamente significativo, 220 mil euros", afirmou, em seu depoimento na 7ª Vara. 

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Cavendish disse que entendeu que o pedido não era um presente de imediato.

"Eu disse, isso aqui a gente vai ter que acertar. Eu e minha mulher estávamos comemorando o casamento, e ela estava grávida de gêmeos, anunciamos lá, que era até uma confidência. Se alguém ali tivesse que ser presenteado seria ela, e não a primeira dama", declarou o empresário.

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"Não foi um presente, foi um anel de compromisso, que tinha contrapartida. Não teve nenhum obrigado pelo presente, o assunto não foi nem comentado durante a viagem. Não ia presenteá-la com diamantes de tantos quilates, é até constrangedor. Aquilo foi literalmente um ato que tinha que ter uma contrapartida. E esse negócio foi o Maracanã. Pode ver que até as datas coincidem. A viagem foi no final de julho de 2009 e em outubro já estava pedindo a participação no Maracanã. Fica claro de ver que esse anel não foi um presente meu. Minha esposa nem ficou sabendo. Não houve presente, houve um negócio", disse Cavendish.

O empresário, que está em prisão domiciliar, também afirmou que sabia que estava sendo feito um cartel em todas as obras de estádios da Copa do Mundo. "Cometi um grande erro e hoje estou pagando por esses erros", disse.

A defesa de Cabral ainda não foi ouvida pelo Estado sobre as afirmações de Cavendish.

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