Andreas, agora sob a proteção da avó e do tio

Vestindo uma bermuda, tênis e camiseta, Andreas Albert von Richthofen, de 15 anos, filho mais novo do casal Marísia e Manfred, apareceu ontem de manhã no portão da casa da avó, Lourdes Magnanani Abdalla, de 81 anos, ao lado do tio, o ginecologista Miguel Abdalla. É lá, agora, onde mora, desde o assassinato dos pais. Andreas e o tio conversaram durante cinco minutos, pegaram alguns papéis em um dos carros de Miguel e entraram novamente.Estudante do Colégio Porto Seguro, no Morumbi, Andreas será o único herdeiro dos bens deixados pelos pais, de acordo com o Código Civil Brasileiro. Menino tímido, faixa marrom no caratê, gosta de aeromodelismo, de jogar videogame e de sair com alguns poucos amigos. Até completar a maioridade, o estudante deverá ser assistido por um tutor.Às 11h20, o rapaz, que não quis falar com os jornalistas, espiou pela cortina do sobrado. Por volta do meio-dia, uma moça, aparentando 25 anos, parou na garagem e levou o garoto em um Corsa. Pouco depois, dois casais, um rapaz e um senhor japonês, foram até o local e disseram que tinham ido consolar o rapaz. ?Não tive contato com Andreas depois do crime, por isso quero vê-lo?, disse um deles.O grupo tocou várias vezes a campainha, mas ninguém atendeu. Um dos jovens ligou para Andreas pelo celular, mas não conseguiu localizá-lo. Mesmo assim, ficaram até as 13h esperando o colega. Segundo um vizinho que mora há 34 anos na frente do sobrado, pessoas desconhecidas, provavelmente amigos da família, têm aparecido na casa com freqüência. ?Quem eu nunca mais vi foi a Lourdes. Antes ela vivia no portão, sempre simpática e simples, e nós conversávamos à tarde. Agora, estou meio sem jeito de chegar e perguntar como ela está.?O mesmo morador contou que conhece a família há muito tempo. ?O Miguel vive aqui desde pequeno, jogava bola na rua. Quando abri os jornais e vi que se tratava da neta de Lourdes, fiquei chocado, como todo mundo.? Ele disse ainda que Marísia visitava muito a mãe. ?É triste ver pessoas tão boas nessa situação?, afirmou.Um garoto caseiro, com poucos amigosAndreas Albert von Richthofen não é considerado por quem o conhece um garoto-problema. O jovem é do tipo caseiro, que costumava ajudar o pai, o engenheiro Manfred, nas atividades domésticas. Pessoas próximas da família chegaram a dizer que, algumas vezes, não havia como Andreas ?fugir? destes trabalhos. Quando a família ia para o sítio, em São Roque, interior de São Paulo, Andreas e Manfred faziam objetos de marcenaria e cuidavam das plantas do jardim. Acostumado com o estilo alemão de educação dentro e fora de casa ? ele estuda no Colégio Porto Seguro, freqüentado por muitos descendentes de alemães ? Andreas tem temperado reservado, como seu pai, segundo amigos da família. A severidade dos pais atrapalhava os relacionamentos de Andreas e ele também tinha poucos amigos. Quem conviveu com a família Richthofen diz que o garoto chegava a ser quase infantil. Não se parecia com muitos adolescentes de sua idade, que gostam de sair à noite.Um de seus passeios prediletos era freqüentar cybercafés, onde podia ficar, durante horas, navegando na Internet.Acompanhe toda a história nos links abaixo. » Quinta, 31/10: Casal é assassinado no Campo Belo » Para vizinhos, casal era "simpático e reservado" » Sexta, 1/11: Policiais investigam namorado e filha do casal » Segunda, 4/11: Filha do casal depõe pela segunda vez » Terça, 5/11: Polícia volta à mansão do casal assassinado » Quarta, 6/11: Para Polícia, casal foi assassinado por vingança » Quinta, 7/11: Preso o irmão do namorado da filha » Sexta, 8/11: Pedida prisão de suspeito de matar o casal » A Polícia conclui: Suzane, a filha, tramou o assassinato » Assassinos do casal têm prisão provisória decretada » Polícia encontra material furtado da mansão do casal » Suzane era meiga e quieta, dizem colegas » Richthofen era homem-chave do Rodoanel » Matam os pais e não mostram remorso » Especialistas acreditam em "distúrbio mental" » Casal queria mandar a filha para a Alemanha » Sábado, 9/11: "Cheguei a pensar em desistir, mas já não tinha volta", disse Suzane » Pena de assassinos do casal pode chegar a 50 anos

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