Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

André Mendonça, da AGU, aceita convite para ser ministro da Justiça

Evangélico, Mendonça é considerado leal, mas não tão próximo à família Bolsonaro quanto Jorge Oliveira, que deve permanecer na Secretaria-Geral da Presidência

Eliane Cantanhêde e Jussara Soares, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2020 | 00h11

O advogado-geral da União, André Mendonça, é o novo ministro da Justiça. A nomeação de Mendonça foi assinada pelo presidente Jair Bolsonaropublicada nesta terça-feira, 28, no Diário Oficial da União. Bolsonaro bateu o martelo na tarde desta segunda, após se reunir com Mendonça e também com o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Jorge Oliveira, que até então vinha sendo considerado o candidato mais forte à vaga do ex-juiz Sérgio Moro.

Bolsonaro trabalhou com uma lista de nomes, de dentro e fora do governo, mas bateu o martelo na opção "da casa", ou seja, da própria equipe. Evangélico, Mendonça é considerado extremamente leal, mas não tão íntimo da família Bolsonaro. Além disso, tem mais trânsito fora do governo do que o presidente. Como advogado geral da União, ele conta, por exemplo,  com mais acesso a ministros do Supremo Tribunal Federal.

O Estado apurou que o mais cotado para substituir Mendonça na AGU era o atual procurador geral da Fazenda Nacional, José Levi Mello do Amaral Júnior, informação confirmada na publicação do Diário Oficial.

Entre os nomes de fora do governo que Bolsonaro chegou a sondar para o Ministério da Justiça estão juristas de grande relevância e notoriamente conservadores, como o ministro Ives Gandra Martins, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), e o desembargador Thompson Flores, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Thompson Flores condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à prisão no processo do triplex do Guarujá (SP), conduzido por Moro na primeira instância.

Eles, porém, eram opções colocadas por generais e assessores diretos do presidente, mas desde o início o próprio Bolsonaro preferia alguém como Mendonça e Oliveira, de dentro do governo e de sua estrita confiança. No final, prevaleceu o temor de que Oliveira sofresse muito mais resistência, já que seu pai trabalhou durante muitos anos com Bolsonaro e ele próprio foi assessor e padrinho de casamento do deputado Eduardo Bolsonaro, o filho 03 do presidente.

Foi por isso que Mendonça - cotado inicialmente para assumir a vaga do decano Celso de Mello, que se aposenta compulsoriamente do STF em novembro - passou a ser o candidato mais forte.

O presidente anunciou o nome do sucessor de Moro na Justiça e também confirmou o novo diretor-geral da Polícia Federal, Alexandre Ramagem, para assumir o lugar de Maurício Valeixo. O delegado foi demitido na semana passada, fato que provocou a queda de Moro e a nova crise política do governo.  O atual diretor-geral comandava a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Apesar de Ramagem ser o preferido de Bolsonaro, antes da confirmação oficial no Diário, seus interlocutores alertaram que o presidente costuma ser imprevisível, mudando de opinião na última hora, sem comunicar aos próprios assessores.

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