WILTON JUNIOR / ESTADÃO
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André Ceciliano é reeleito para presidência da Alerj

Último mandato do deputado petista ficou marcado pela abertura do impeachment contra Wilson Witzel

Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2021 | 17h45

RIO - O deputado estadual André Ceciliano (PT) foi reeleito na tarde desta terça-feira, 2, para a presidência da Assembleia Legislativa do Rio, a Alerj. O voto era apenas “sim” ou “não”, já que não havia chapa concorrente. Apenas três deputados - bolsonaristas - foram contrários à recondução, mas não fizeram discursos no plenário. Alexandre Freitas e Adriana Balthazar, do Novo, se abstiveram, apesar de terem elogiado Ceciliano. 

“Eu não tenho vergonha de ser político. A gente trabalha, e muito, aqui no parlamento. Muito menos (vergonha) de pertencer ao Partido dos Trabalhadores, do qual tenho orgulho”, disse após a vitória, chorando, o presidente. 

Após assumir o cargo em 2017 para um mandato-tampão, em meio a doenças e prisões de deputados à frente dele na linha sucessória, Ceciliano conduziu sua gestão como uma espécie de antítese de Jorge Picciani (MDB), o ex-cacique emedebista que comandou a Casa por anos e foi preso no âmbito dos esquemas envolvendo o ex-governador Sérgio Cabral (MDB). 

Deputados de diferentes posições no espectro político elogiam a abertura ao diálogo criada nos últimos anos. Ceciliano se dá bem, inclusive, com bolsonaristas, o que vai na contramão da relação entre o presidente da República e o PT na esfera nacional. Na sessão desta tarde, houve até elogios ao partido de esquerda e seus “inegáveis avanços” por parte do deputado do PSL Alexandre Knoploc.

Esse perfil pragmático chega a incomodar os petistas mais à esquerda. Gerou insatisfação no partido, por exemplo, o fato dele ter aberto as portas da Alerj para um encontro entre o novo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e deputados federais fluminenses que o apoiavam. Lira era o candidato de Jair Bolsonaro na disputa. 

Ceciliano é investigado pelo Ministério Público do Rio com base no mesmo relatório de inteligência financeira que deu origem às apurações contra o hoje senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). No caso dele, a investigação não teve grandes avanços, como o cumprimento de medidas cautelares. Ela ainda não foi, contudo, arquivada - movimento que é a expectativa de aliados do deputado. 

No discurso de abertura do ano legislativo, o governador em exercício, Cláudio Castro (PSC), falou que estava ali por três motivos: respeito pelo parlamento, gratidão e vontade de firmar um “pacto” pela recuperação do Estado. Ao falar, por exemplo, em metas que pretende cumprir até o final do ano, deixou claro que já considera impossível o retorno do afastado Wilson Witzel (PSC). 

Tirado do cargo por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Witzel já foi denunciado por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O prazo do afastamento temporário acaba no fim de fevereiro. Ele também passa por um processo de impeachment, mas um imbróglio jurídico retardou o andamento do julgamento. 

Ao agradecer Castro pela presença, Ceciliano ilustrou a boa relação entre os dois Poderes, em contraponto ao que acontecia no governo Witzel. “Poucos governadores vieram aqui e fizeram discurso, e nenhum aguardou a votação”, apontou.

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