Andrade admite candidato de consenso no PMDB

O ex-deputado Paes de Andrade (PMDB-CE) admite abrir mão da disputa pela presidência nacional do partido em favor de um candidato de consenso.A situação de Andrade e a necessidade de conciliar os diversos setores partidários para fortalecer o candidato a presidente da República serão discutidos no encontro da legenda, que ocorrerá na segunda-feira, em Belo Horizonte, com a participação do governador Itamar Franco (PMDB) e dos principais dirigentes partidários.Unidade"A reunião de Minas será decisiva para a montagem da chapa à convenção nacional e já estamos trabalhando pela unidade", afirmou Andrade.Ao lado do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), Andrade trabalha pela conciliação.Um dos principais interlocutores dessa tese é o senador José Sarney (PMDB-AP), que, para muitos peemedebistas, poderia ser o nome de consenso para a presidência da sigla nos próximos dois anos.?Desconfortável?"Mas isso é desconfortável para mim", teria dito Sarney nesta quarta-feira a Andrade, em mais uma conversa sobre o assunto."Condiciono minha candidatura à reunião de Belo Horizonte", avaliou Andrade, ressaltando que a reunião, apesar de não contar com a participação de integrantes da ala governista, será fundamental para definir os rumos da agremiação.Os aliados de Itamar poderão até mesmo traçar as primeiras regras de convivência com o grupo afinado com o Palácio do Planalto.Um dos procedimentos seria evitar o lançamento do nome do candidato a presidente da República na convenção de setembro, limitando-a à aprovação da candidatura própria e à eleição do novo comando partidário.Candidatura própriaNa avaliação da ala governista, a tese da candidatura própria do PMDB à Presidência da República tornou-se irreversível, mas a escolha do nome ficaria para 2002.Certos de que seriam derrotados, os aliados do governo desistiram de tentar reverter a tendência pela candidatura própria.Minas Gerais - que tem o maior número de votos entre os convencionais (75) - São Paulo, Goiás, Ceará e Rio Grande do Sul concentram os votos pela candidatura própria e são majoritários na assembléia.Michel TemerComo estratégia para marcar posição, os governistas querem lançar a candidatura do deputado Michel Temer (PMDB-SP) a presidente nacional do partido.Seria uma forma de abrir as negociações e chegar a um nome de consenso. Contra Temer está a recente derrota para o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia (PMDB) na disputa do diretório regional do partido em São Paulo.Tanto os govenistas como os aliados de Itamar avaliam que a legenda não pode rachar neste momento, sob pena de comprometer o desempenho eleitoral de 2002."Quem quer se candidatar precisa da unidade partidária a qualquer custo", afirmou o deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE), tesoureiro do PMDB.MáquinaSe a coesão interessa a Itamar, os governistas não querem ficar isolados. Sobretudo agora, que estão sendo alijados pelo PFL e o PSDB, ambos decididos a reeditar a parceria para a corrida presidencial.O PMDB mantém uma máquina que agrega 27 diretórios estaduais, 6 governadores, 1.282 prefeitos, 6 milhões de filiados, além de bancadas expressivas nos legislativos.Segundo líderes da sigla, nem Fernando Henrique conta o apoio da agremiação para refazer a aliança governista que o reelegeu em 1998.CongressoMas tem levado aos interlocutores o interesse em manter o PMDB na base de sustentação parlamentar. "É preciso compatibilizar a tese da candidatura própria com a atividade congressual", raciocina Calheiros, que tem conversado, freqüentemente, com o presidente sobre a situação do partido."Não vamos misturar candidatura própria com apoio congressual ao governo", reforça o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA).O governo reconhece que não deixar de levar em conta uma bancada de 26 senadores e 94 deputados, importante para a aprovação de projetos essenciais, como a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e outras medidas tributárias."A nossa aliança é com o presidente Fernando Henrique e não com o PSDB e o PFL", reagiu Geddel, minimizando as pressões feitas pelas duas legendas contra Fernando Henrique para precipitar a saída do PMDB do governo.

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