Anastasia nega interferência de Aécio caso vença eleição

O governador de Minas Gerais e candidato à reeleição, Antônio Anastasia (PSDB), afirmou hoje que tem "forte senso de autoridade" e, se eleito, será o próprio responsável pela definição de seu secretariado. Ele descartou a hipótese de que o ex-governador Aécio Neves (PSDB), seu maior cabo eleitoral, pudesse vir a definir a composição do governo em caso de vitória tucana nas eleições. "O candidato sou eu. Não é o Aécio", declarou, em sabatina promovida em Belo Horizonte pelo jornal "Folha de S.Paulo".

MARCELO PORTELA, Agência Estado

10 de agosto de 2010 | 15h54

No evento, o governador também negou que haja no Estado "corpo mole" na campanha do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, e disse que referências ao tucano paulista não estão em todo material de campanha "em respeito" aos aliados mineiros. "(Há) partidos coligados a nós no Estado, mas que apoiam a candidata Dilma na esfera federal", disse, referindo-se à adversária de Serra, Dilma Rousseff (PT).

Anastasia também minimizou a vantagem de seu principal adversário ao governo do Estado, o senador licenciado Hélio Costa (PMDB). Ele assumiu que ainda é desconhecido de grande parte do eleitorado e salientou que, apesar de nunca ter disputado o Executivo, está preparado para a corrida eleitoral e para o cargo. "Os políticos têm que ter conhecimento técnico, e os técnicos, formação política", avaliou.

A situação de Anastasia é parecida com a de Dilma, que também começou sua primeira experiência na disputa eleitoral por um cargo Executivo e tem no presidente Luiz Inácio Lula da Silva o principal cabo eleitoral. Assim como Aécio Neves em Minas, o governo de Lula tem recorde de avaliação positiva. Mas Anastasia rechaça qualquer semelhança com a petista. "O presidente da República e os ministros têm uma visibilidade muito distinta de um governador. Quando o presidente indica uma ministra para ser sua candidata, a dimensão do nome tem um reconhecimento muito maior do que acontece na esfera estadual", disse.

O governador mineiro também aproveitou o evento para fazer várias críticas ao governo federal que, segundo ele, tem gestão "falha". Esse, de acordo com Anastasia, seria o motivo de uma série de problemas em Minas, como a falta de expansão do metrô de Belo Horizonte e da duplicação da BR-381, que liga a capital mineira a São Paulo e ao Espírito Santo. "O Estado não consegue administrar uma obra que envolve bilhões de reais", afirmou.

Questionado se não houve inversão de prioridades do governo mineiro ao preterir investimentos em outras áreas para a construção da cidade administrativa - cujo valor divulgado oficialmente gira em torno de R$ 1 bilhão, mas no próprio governo há quem afirme que o custo pode chegar a R$ 2 bilhões - Anastasia disse que havia urgência na transferência da estrutura governamental para instalações mais modernas. "É impossível os prédios antigos do centro suportarem a administração", disse.

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