Anastasia diz que ausência de Serra em material de campanha é por 'respeito a aliados'

'Há partidos coligados a nós no estado, mas que apoiam a candidata Dilma na esfera federal', afirmou

Marcelo Portela, de O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2010 | 15h25

BELO HORIZONTE - Apesar de ter o ex-governador Aécio Neves (PSDB) como seu principal padrinho político e cabo eleitoral para a reeleição, o atual chefe do Executivo mineiro, o também tucano Antônio Anastasia, disse nesta terça-feira, 10, que seu antecessor não definirá a composição do governo caso vença o pleito de outubro. Anastasia afirmou que tem "forte senso de autoridade" e, se eleito, será o responsável pela definição de seu secretariado.

 

"O candidato sou eu. Não é o Aécio", declarou, em sabatina promovida na capital mineira pelo jornal Folha de S.Paulo. No evento, o governador negou que haja no Estado "corpo mole" na campanha do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, e disse que referências ao tucano paulista não estão em todo material de campanha "em respeito" aos aliados mineiros. "(Há) partidos coligados a nós no estado, mas que apoiam a candidata Dilma na esfera federal", disse, referindo-se à adversária de Serra, a petista Dilma Rousseff.

 

Anastasia também minimizou a vantagem de seu principal adversário ao governo do Estado, o senador licenciado Hélio Costa (PMDB). Ele assumiu que ainda é desconhecido de grande parte do eleitorado e salientou que, apesar de nunca ter disputado o Executivo, está preparado para a corrida eleitoral e para o cargo. "'Os políticos têm que ter conhecimento técnico e os técnicos, formação política'', avaliou.

 

A situação de Anastasia é parecida com a de Dilma, que também tem sua primeira experiência na disputa eleitoral por um cargo Executivo e tem no presidente Luiz Inácio Lula da Silva o principal cabo eleitoral.

 

Assim como Aécio Neves em Minas, o governo de Lula tem recorde de avaliação positiva.

 

Mas Anastasia rechaça qualquer semelhança com a petista. "O presidente da República e os ministros têm uma visibilidade muito distinta de um governador. Quando o presidente indica uma ministra para ser sua candidata, a dimensão do nome tem um reconhecimento muito maior do que acontece na esfera estadual", disse.

 

O governador mineiro também aproveitou o evento para fazer várias críticas ao governo federal que, segundo ele, tem gestão "falha".

 

Esse, de acordo com Anastasia, seria o motivo de uma série de problemas em Minas, como a falta de expansão do metrô de Belo Horizonte e da duplicação da BR-381, que liga a capital mineira a São Paulo e ao Espírito Santo. ''O Estado não consegue administrar uma obra que envolve bilhões de reais", declarou.

 

Perguntado se não houve inversão de prioridades do governo mineiro ao preterir investimentos em outras áreas para a construção da cidade administrativa - cujo valor divulgado oficialmente gira em torno de R$ 1 bilhão, mas no próprio governo há quem afirme que o custo pode chegar a R$ 2 bilhões - Anastasia disse que havia urgência na transferência da estrutura governamental para instalações mais modernas. "É impossível os prédios antigos do centro suportarem a administração", ressaltou.

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