Anastasia afirma que é vítima de armação

Senador do PSDB disse que o depoimento que embasa a abertura de inquérito contra ele é 'falso' e 'covarde'

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

07 de março de 2015 | 16h04

Alvo de inquérito criminal no Supremo sob suspeita de ter recebido dinheiro desviado da Petrobrás, o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) afirmou neste sábado, dia 7, que é vítima de uma “armação”. Anastasia, que é ex-governador de Minas, disse que o depoimento que embasa a abertura de inquérito contra ele é “falso” e “covarde”.

O tucano foi citado nos autos da Operação Lava Jato pelo ex-policial Jayme Alves de Oliveira Filho, conhecido como Careca, apontado pelos investigadores como um “carregador de malas” do doleiro Alberto Youssef.

Careca afirma que repassou R$ 1 milhão para Anastasia mando de Youssef em 2010, quando Anastasia foi candidato à reeleição ao governo de Minas.

Na nota oficial, o tucano afirma: “Não conheço, jamais estive ou falei com o sr. Jayme. Da mesma forma, não conheço, jamais estive ou falei com o sr. Youssef”. Ele continua: “O próprio sr. Youssef, em depoimento oficial, negou que tivesse me encaminhado qualquer valor”, afirma Anastasia.

“Os que me conhecem estão indignados com estes fatos, mas tenho a consciência tranquila da prevalência da justiça e da verdade, inclusive com a descoberta da origem desta armação contra mim, continua o senador mineiro.

Veja a íntegra da nota oficial:

1) Não conheço, jamais estive ou falei com o Sr. Jayme. Da mesma forma, não conheço, jamais estive ou falei com o Sr. Youssef.

2) Ou seja, é absolutamente falsa a afirmativa do Sr. Jayme que teria me entregue valores em dinheiro, em 2010, a mando do Sr. Youssef. O próprio Sr. Youssef, em depoimento oficial, negou que tivesse me encaminhado qualquer valor (vide anexo 1, cópia do documento oficial da Procuradoria Geral da República, páginas 22 e 23, Termo de Declarações Complementar n. 28)

3) Deste modo, o pedido de inquérito aberto em relação a mim baseia-se, exclusivamente, no depoimento do Sr. Jayme (que, ao contrário do Sr. Youssef, não tem o mesmo valor nem está sujeito às mesmas obrigações de um acordo de delação premiada), que foi vazado em janeiro deste ano. Ainda que assim não fosse, a alusão precária e inespecífica a uma casa em Belo Horizonte, sem fornecer o endereço, ou a data e a hora de tal encontro, aliada ao reconhecimento precário de uma fotografia dizendo ser pessoa “parecida” comigo, não resistiria a menor verificação. (vide anexo 1, cópia do documento oficial da Procuradoria Geral da República, página 22, declaração)

4) As datas de entregas de valores pelo Sr. Jayme, a mando do Sr. Youssef, conforme se verifica nos documentos arrolados nas peças, não condizem com a do depoimento do Sr. Jayme.

5) Soma-se a isto o fato de eu ser, à época, governador de partido de oposição ao Governo Federal, sem qualquer vinculação com a Petrobras.

6) A abertura do inquérito servirá para demonstrar a verdade, pondo fim à infâmia inventada contra mim, sabe-se lá por qual motivo.

7) Desejo, tão somente, que a apuração seja rápida, de forma a comprovar o mais breve possível minha total inocência, por respeito aos milhões de mineiros que votaram em mim para o Governo e para o Senado e por toda a trajetória de minha vida pública, reconhecidamente correta e proba.

8) Os que me conhecem estão indignados com estes fatos, mas tenho a consciência tranquila da prevalência da justiça e da verdade, inclusive com a descoberta da origem desta armação contra mim.

9) Agradeço a incontáveis manifestações de apoio e solidariedade que venho recebendo, desde o surgimento, em janeiro, desta história falsa e covarde.

10) Coloco-me, uma vez mais, à inteira disposição do Ministério Público e da Justiça para todos os atos necessários a comprovar a improcedência do depoimento do Sr. Jayme.

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