Anastasia afirma que citação a ele na Lava Jato é 'infâmia'

Senador do PSDB de Minas usou o plenário da Casa para se defender sobre a acusação de ter recebido R$ 1 milhão do esquema de pagamentos de propinas pelo qual é investigado no STF

Ana Fernandes, O Estado de S. Paulo

10 de março de 2015 | 16h52

Brasília - O senador Antônio Anastasia (PSDB-MG) foi ao plenário do Senado na tarde desta terça-feira, 10, para se defender após seu nome ter constado da lista de políticos investigados na Lava Jato. Anastasia descreveu sua trajetória política, como governador de Minas Gerais por dois mandatos e agora como senador, e agradeceu a solidariedade e a confiança dos mineiros.

"Em janeiro deste ano, é lançada contra mim uma infâmia de grandes proporções, de forma cruel e covarde", disse em seu discurso. Anastasia afirmou que passou até a refletir se a vida pública vale a pena e que, "a despeito o imenso sofrimento" a que está submetido e do "absoluto sentimento de injustiça", "a vida pública vale a pena e os desafios têm de ser enfrentados". "Não podemos permitir que os homens de bem se afastem da vida pública", completou Anastasia. 

O senador tucano argumentou serem falsas as acusações feitas pelo policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, conhecido como Careca, denunciado pelo Ministério Público Federal na operação Lava Jato suspeito de transportar valores em nome do doleiro Alberto Youssef. Em depoimento, Careca, disse ter levado R$ 1 milhão em dinheiro a uma casa em Belo Horizonte e que o destinatário seria Anastasia. 

"Os fatos descritos são tão falaciosos e contrários à minha notória índole que serviriam para uma boa novela de ficção, não fosse a gravidade de se acusar um homem de bem. Basta a simples leitura do que já foi disponibilizado para se verificar as contradições e incongruências", disse em trecho do discurso. "Não há identificação da tal casa, de seu endereço ou proprietário (...) Por outro lado, quem está sob delação premiada, portanto obrigado a dizer a verdade, e que seria responsável por tal remessa, nega expressamente o meu envolvimento", completou referindo-se a Youssef.

Ao fim do discurso, Anastasia disse não ter nada a temer, por ser inocente, e afirmou que entrará com as medidas necessárias ao longo desse processo, por meio de seus advogados.

Assim que terminou a fala de Anastasia, senadores, especialmente do PSDB, pediram a palavra para defender o colega de partido. Disseram não estar prestando solidariedade mas demonstrando confiança na retidão do senador mineiro. Aécio Neves, que é também presidente do PSDB, disse que a tese contra Anastasia é "fantasiosa" e tem fragilidades. Recomendou a ele que tenha serenidade, firmeza e coragem e disse que "juntos" enfrentariam as acusações feitas contra o colega de partido e de Estado. 

Além de Aécio, os senadores tucanos Tasso Jereissati (CE), Aloysio Nunes (SP), José Serra (SP) e Álvaro Dias (PR) também se pronunciaram em defesa de Anastasia. Parlamentares de outros partidos, como Fernando Bezerra (PSB-PE), José Agripino Maia (DEM-RN), Luiz Henrique (PMDB-SC) e Ana Amélia (PP-RS) também pediram a palavra para dar apoio ao senador Anastasia.

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