Anarquia, vodca, miojo e Ramones

Acampados diante do Palácio dos Bandeirantes, 20 jovens pedem saída de Alckmin

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2013 | 21h01

Além da agenda negativa provocada pelo caso Siemens, o governador Geraldo Alckmin enfrenta um reduzido, mas, persistente, movimento pelo seu impeachment. São cerca de 20 jovens acampados diante do Palácio dos Bandeirantes – para eles, Palácio "dos Manifestantes" – que lá se instalaram no dia 5 e não mostram intenção de ir embora.

No "camping" coabitam estudantes anarquistas, punks e membros do movimento Black Bloc, que defendem a destruição de símbolos do capitalismo, como fachadas de bancos e multinacionais. A rotina consiste em atualizar a página do grupo "Ocupa Alckmin" no Facebook, discutir política e, durante a noite, fazer saraus musicais movidos a vodka e miojo. Segundo um ativista que prefere não revelar o nome, o consumo de álcool no local foi motivo de desavenças entre os acampados.

Parte do grupo preferiu migrar para outro acampamento anti-Alckmin montado na segunda-feira passada diante da Assembleia Legislativa. A agitação no local transformou a entrada principal da Casa, que foi fechada, em um outro ponto de encontro (e baladas) de ativistas antissistema.

Um gerador movido a gasolina cedido por uma banda de rock simpatizante da causa garante ali a energia de laptops e celulares. Uma generosa caixa de som passa o dia tocando hits de bandas como The Clash e Ramones. Depois de uma reunião, o grupo deliberou que o consumo de bebidas alcoólicas e drogas não seria permitido. "Aqui, quem quiser fumar maconha e beber tem que dar uma volta no parque (do Ibirapuera, que fica em frente à entrada da Assembleia)", diz uma jovem que se recusa a revelar o nome por entender que o repórter representa a "mídia oligopolizada".

Exigências. Além de protestarem contra Alckmin, os acampados da Assembleia preparam uma extensa lista de exigências. Um manifesto com 25 itens vai da "imediata" extinção da PEC-01, que limita o poder de investigação do Ministério Público Estadual, até o "imediato" fim das coligações partidárias nas eleições. Como esse ponto da pauta é de jurisdição federal, o movimento decidiu redigir um manifesto e levá-lo ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), em Brasília.

Definindo-se como "um Black Bloc", um dos jovens, que também se recusa a dar o nome, afirma que o grupo não sairá de lá até que as reivindicações sejam atendidas. "A invasão à Assembleia será nosso último recurso", ameaça.

Na última quarta-feira, o acampamento recebeu uma "visita de solidariedade" de cerca de 30 jovens mascarados do movimento Black Bloc. A delegação chegou de ônibus vindo do centro, onde tinha acabado de promover um ato que contou com mais policiais do que manifestantes.

O clima ficou pesado. "Eles já chegaram querendo invadir a Assembleia", relata uma ativista da ala moderada do acampamento. Os visitantes acabaram aceitando os argumentos contra a invasão e deixaram o local. Depois de tanto tempo de convivência, os policiais militares que protegem a Assembleia acabaram se comovendo com a persistência dos meninos e liberaram o uso de uma banheiro próximo ao estacionamento.

Tudo o que sabemos sobre:
manifestantesAlckminBandeirantes

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.