Analistas europeus calculam perdas com saída do PMDB

A saída do PMDB e do PPS da base de apoio do governo no Congresso e o impacto sobre o restante do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está sendo avaliada com atenção pelos investidores europeus. Esses acontecimentos não devem afetar a atual avaliação positiva do Brasil nos mercados externos, mas reforçam as dúvidas sobre a capacidade do governo em aprovar reformas estruturais em 2005. Para o economista do banco Dresdner Kleinwort Wasserstein, Nuno Câmara, a decisão do PMDB e do PPS não é necessariamente uma indicação de que o governo vá sofrer uma perda total de apoio na Câmara e no Senado. "Embora eles integrassem a coalizão governamental, o apoio desses dois partidos tinha sempre sido dividido entre as facções pró e antigoverno", disse. "Por isso, aqueles que simpatizam com o governo vão continuar a votar no PT."A analista Carmen de la Orden, do departamento de economia internacional do banco espanhol Caja Madrid, acredita que o governo sofreu um "pequeno revés", mas não acredita que isso possa ter um impacto mais relevante sobre a percepção do País, que, segundo ela, é muito positiva. "A saída do PMDB pode gerar alguma incerteza, pois 2005 será um ano fundamental para que o que governo toque adiante as reformas", disse. "Mas acredito que tanto o PMDB como o PPS vão continuar apoiando o governo nos temas relevantes."

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