Analistas do PSDB duvidam de apoio a não-tucano

Apesar das declarações recentes do presidente Fernando Henrique Cardoso, inexiste a hipótese de que o candidato a presidente a ser apoiado por ele na campanha de 2002 não seja tucano.Se o PSDB for incapaz de se entender e indicar uma candidatura competitiva, o prejuízo maior será do governo e de Fernando Henrique.Esta é uma idéia fixa entre os estrategistas tucanos, que reúnem, nesta quarta-feira, a executiva nacional do partido para discutir o processo sucessório e a escolha do candidato tucano.Por ser a legenda do presidente, a sigla é a única que tem perfil e tecnologia política para ser solidária ao governo e ao presidente, como afirma o líder da bancada na Câmara, Jutahy Magalhães Júnior (BA).Segundo ele, sem representante social-democrata na campanha, o risco de enfraquecimento da liderança presidencial pode aumentar e enfrentar-se o perigo da ingovernabilidade, na medida em que os outros candidatos serão vistos como de oposição, mesmo os indicados pelos aliados.Os tucanos temem que as eleições de 2002 sejam reprise do quadro de 1989, no qual o PFL e o PMDB, agremiações com as quais o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) dividiu o governo, lançaram candidatos - Aureliano Chaves e o ex-deputado Ulysses Guimarães, respectivamente - que não o defendiam e, muitas vezes, até o atacavam.O debate sobre qual dos partidos da atual aliança indicará o candidato situacionista se tornou prioritário, depois que a ascensão da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL) nas pesquisas mostrou que a coalizão governista tem força eleitoral suficiente para eleger o novo presidente.Por ser do PFL, que indicou o vice-presidente Marco Maciel nas duas eleições de Fernando Henrique, Roseana, no entanto, não teria chance de liderar a coalizão.Fernando Henrique diz que não é bem assim. Na avaliação do presidente, se Roseana se firmar perante a opinião pública e for capaz de agregar forças partidárias para tornar viável uma campanha competitiva, não existiriam razões para não apoiá-la.O presidente nacional do PSDB, deputado José Aníbal (SP), pensa de outro modo. Ele argumenta que as conquistas do governo Fernando Henrique resultaram de um projeto estratégico, formulado pelo partido, que, desse modo, estaria mais qualificado para dar continuidade ao governo do PSDB.As duas correntes tucanas em disputa - a que apóia o ministro da Saúde, José Serra, e a que sustenta o governador do Ceará, Tasso Jereissati -, acreditam que o governo vencerá as eleições de 2002, seja quem for o candidato.A certeza tucana de que o candidato governista tem uma probabilidade alta de chegar ao segundo turno e ganhar a eleição explica a crescente radicalização da disputa interna na legenda e entre estes e opções como Roseana.O problema da luta entre os tucanos é o risco que ela pode gerar de uma ruptura que enfraqueça o candidato da sigla.Neste caso, a noção de que a cabeça-de-chapa pertence à agremiação também se enfraquecerá. O desafio tucano "é fazer uma escolha sem fraturas", como afirma um político que participou das duas campanhas presidenciais vencidas por Fernando Henrique.

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