Analistas dizem que resistência de Curitiba à Dilma vai ceder

Esta foi a primeira vez que a diferença entre os dois baixou de dois dígitos, o que tinha acontecido na maioria das principais cidades há cerca de dois meses

Evandro Fadel, de O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2010 | 18h48

CURITIBA - A vantagem que o candidato a presidente pelo PSDB, José Serra, mantém sobre a candidata do PT, Dilma Rousseff, em Curitiba, de 9 pontos porcentuais, de acordo com pesquisa Datafolha, não deve resistir por muito tempo. "Curitiba está em sintonia com as tendências nacionais, mas o eixo temporal é diferenciado", analisou o cientista político e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ricardo Oliveira. Ele acredita que, em meados de setembro, Dilma deve ultrapassar Serra também na capital paranaense.

 

Segundo ele, esta foi a primeira vez que a diferença entre os dois baixou de dois dígitos, o que tinha acontecido na maioria das principais cidades há cerca de dois meses. "Aqui a Dilma também está crescendo e Serra está em baixa", afirmou. Em julho, o tucano tinha 47% das intenções de voto e agora apareceu com 40%. Já a petista subiu de 24% em julho para 31% agora. "O movimento de crescimento de Dilma em Curitiba é o mesmo do país inteiro, mas com alguns meses de diferença", reforçou Oliveira.

 

O professor salientou que a diferença temporal é explicada primeiramente pelo perfil de Curitiba. "Tem outro padrão de renda, uma classe média mais dilatada, muitos imigrantes, uma cultura política diferenciada", disse. A isso se soma a aprovação à administração do ex-prefeito Beto Richa (PSDB), candidato ao governo, que chegou a cerca de 80%. "De certa maneira, o eleitor liga o ex-prefeito a Serra, o que considero um elemento de preocupação para o Beto Richa", salientou. "Ele tem que cuidar para não se contagiar com o declínio do Serra, tem que buscar autonomia." Na propaganda de televisão, Serra praticamente passa despercebido, mas, sábado, 28,os dois estarão em Cascavel, no oeste, para programação conjunta.

 

Também professora da UFPR, a cientista política Luciana Fernandes Veiga salientou que a "resistência" curitibana já está cedendo. "Não é pedra dura", afirmou. Segundo ela, a administração do ex-prefeito de Curitiba sempre foi uma espécie de complemento do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fazia no governo federal. "A pessoa ganhava o Bolsa Família do governo federal e comprava alimentos no mercado do povo, que é administrado pela prefeitura e vende mais barato", exemplificou. "Passa a imagem de que o investimento foi potencializado na cidade."

 

Segundo ela, para a população não ficava muito claro o que era investimento do governo federal e o que era da prefeitura. "Por isso a dificuldade para que Lula e Dilma cheguem de forma diferenciada ao eleitor", analisou. Para a professora, na pesquisa Datafolha também há uma variante partidária, visto que o PT não é um partido forte em Curitiba, ao contrário do PSDB, que tem nomes de expressão, como o próprio Richa, o senador Álvaro Dias e o deputado federal Gustavo Fruet. "Eles trazem essa percepção de partido forte", disse. Richa e a coordenação de campanha foram procurados, mas não houve resposta.

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