Analista vê 'excesso de controle' do governo Dilma

A preocupação com os controles do próprio governo se exacerbou na gestão da presidente Dilma Rousseff, o que torna as tomadas de decisão muito lentas, avalia Cláudio Couto, cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP). "Nessa atual gestão, a preocupação burocrática de controle se exacerbou, o que faz com que as decisões se tornem cada vez mais difíceis, cada vez mais lentas", comentou Couto, durante o 10º Fórum de Economia organizado pela Escola de Economia de São Paulo da FGV.

BEATRIZ BULLA, Agência Estado

01 de outubro de 2013 | 14h35

Os mecanismos burocráticos de controle, criados para auxiliar mas que "sabotam" o governo, segundo Couto, são uma consequência indireta dos custos impostos pelo atual modelo de coalizão. "Falamos de gerir uma coalizão muito mais ampla do que a que tivemos no governo Fernando Henrique, mas não de natureza muito distinta. A dificuldade se coloca mais na gestão intergovernamental", explicou. Para o cientista político, há uma máquina governamental "travada pela burocratização e pelo excesso de controles", um dos custos da manutenção da governabilidade existente em um modelo "predatório de coalizão".

"Construímos o modelo predatório de coalizão, no sentido de que leva à captura de partes de um Estado por diferentes partidos", afirmou. A predação da coisa pública, explica, levou o Estado ao longo dos anos a um aprimoramento dos instrumentos de controle, como a Controladoria Geral da União e o Tribunal de Contas. "Gerou tal burocratização que acabou por reduzir sua eficácia e sua eficiência. Gasta-se mal pra seguir o que a lei manda."

Couto mencionou que, dentre os ministérios que podem atuar no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), por exemplo, nenhum é controlado pelo próprio partido da presidente, o PT. Ele citou o ministério de Minas e Energia, nas mãos do PMDB, o dos Transportes (PR), das Cidades (PP), do Esporte (PcdoB) e dos Portos "até outro dia com o PSB".

"Como solucionar? Não creio que por uma redução drástica do número de partidos", comentou. Couto opinou ainda que "reforma política é uma expressão vazia de conteúdo específico", que pode não apresentar soluções necessariamente boas. "Temos um sistema que se move, mas se move a custos demasiados. Não imagino que haja solução mágica para isso."

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