Analista defende mudança nas regras para reeleição

Para Francisco Fonseca, da FGV-SP, segundo mandato só faz sentido se houver mecanismo de controle

Andréia Sadi, do estadao.com.br,

17 de dezembro de 2008 | 10h03

O fim da reeleição aprovado pela CJJ na Câmara não pode ser analisado isoladamente e nem definido como negativo ou positivo. O tema só é válido quando debatido dentro do contexto da reforma política. A afirmação é do cientista político da Fundação Getúlio Vargas Francisco Fonseca, que, ao comentar a aprovação da emenda, disse que, como instrumento de poder, a reeleição para funcionar precisa de mecanismos de controle.  Veja Também:Ouça a entrevista com Francisco Fonseca  Leia a íntegra do relatório sobre a proposta de reforma política   Você é a favor do fim da reeleição?   "A reeleição pode ser positiva e negativa. Acredito que a reeleição é interessante, mas dentro do contexto. Ela foi perniciosa para o Brasil do ponto de vista de sua inserção e de não ter mecanismo de controle". Segundo Fonseca, o mecanismo seria, entre outras coisas, uma proposta de afastamento do cargo do político que quiser concorrer a um segundo mandato. Com isso, seria possível evitar um eventual uso da máquina pública a favor de sua candidatura. "Não é obrigado no Brasil a desincompatibilização do cargo. Assim, o prefeito fica no cargo até o ultimo momento como candidato, confunde", disse.  O cientista político acredita que o debate sobre o tema é "deserto" e deixa de lado questões mais importantes. "O Brasil vem sistematicamente postergando uma reforma política, faz apenas remendos. Isto é um remendo. O ponto central é pensar que tanto a reeleição pode ser positiva ou não. Em si, a reeleição não é boa nem ruim, elas dependem de um contexto, de um conjunto de fatores, que, ao meu ver, é qual o sistema político brasileiro.

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