Analista critica adiamento da compra de caças para FAB

A indicação do governo federal de que a compra de 36 caças para integrar a Força Aérea Brasileira (FAB) não será efetuada em 2011 representa um mau começo da atual administração na área da defesa. A avaliação é de Geraldo Cavagnari, doutor em ciências militares e pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Para ele, o aceno do governo federal indica que a presidente Dilma Rousseff deve seguir a mesma linha de seus antecessores, com a falta de comprometimento com uma ampla política de defesa.

GUSTAVO URIBE, Agência Estado

28 de fevereiro de 2011 | 19h48

"Começa mal no sentido de defesa, começa tendo o mesmo comportamento do governo anterior, falta de comprometimento com uma política de defesa", explica. "O Brasil tem um projeto de modernização que não tem sido levado adiante como seria desejado, dentro dos compromissos internacionais", disse. Em conversa com jornalistas, na manhã de hoje, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que não há previsão para a compra dos caças em 2011 por conta da escassez de recursos.

Nas últimas semanas, a presidente já vinha sinalizando que o assunto não deveria ser tratado neste ano, pois, no seu entender, ainda pairam dúvidas técnicas sobre o projeto de compra dos caças. Ainda que dado como certo o acordo com a empresa francesa Dassault, o governo federal tem estudado melhor as propostas da sueca Saab e da norte-americana Boeing. O projeto de compra da nova frota de caças é discutido desde o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC), tendo sido adiado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, e retomado apenas em sua segunda gestão.

O adiamento da compra, na avaliação do pesquisador, aponta o risco dos preços dos caças sofrerem alteração no mercado internacional. "O preço pode ser outro e o compromisso da empresa com aquele preço pode mudar", considerou. "Os preços no mercado fluem bastante", acrescentou.

O diretor da Associação Brasileira de Estudos de Defesa (ABED) e docente do Departamento de Ciências Sociais da UFSCar, João Roberto Martins Filho, vê também no adiamento o risco de alteração da escolha do governo federal. "Para o favorito, não é uma boa notícia. Há mais tempo para o governo federal repensar". De acordo com ele, o tempo extra dá margem para que o País analise melhor as propostas das concorrentes da empresa francesa. "O governo federal parece que não está dando como certa a opção pela empresa favorita e está analisando outras ofertas também, repensando o conjunto".

O diretor da ABED apontou que o adiamento da compra dos caças já era esperado, devido ao clima de cautela das contas públicas, mas alertou quanto ao fim do prazo de vida útil dos Mirage-2000, que caduca em 2016. "Não dá para adiar mais, porque os aviões já estão chegando muito próximo da vida útil e é uma decisão que precisa ser tomada".

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