Wilton Júnior / Estadão
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Análise: Witzel e Bolsonaro, um conto de dois Palácios

A meteórica queda do governador do Rio deve-se também à rapidez com que se afastou do presidente, anunciando-se como possível rival nas eleições de 2022

Maurício Santoro*, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2020 | 18h54

O Rio de Janeiro é o Brasil em volume mais alto. O Estado vive de maneira mais profunda que o resto do País o descrédito da elite política por escândalos de corrupção, que já levaram à prisão cinco ex-governadores. O afastamento de Wilson Witzel ocorreu por acusações envolvendo dinheiro público para a saúde, em plena pandemia. 

Até 2018 Witzel era juiz federal, ex-fuzileiro naval, com carreira discreta. Largou a magistratura para concorrer ao governo estadual, em campanha que disparou nos últimos dias do primeiro turno e o levou a uma vitória surpreendente. Foi parte da onda nacional de rejeição à política tradicional, na qual Witzel se apresentou aos eleitores como juiz e militar nos moldes de Sérgio Moro e Jair Bolsonaro. O xerife que limparia o Estado.

O colapso da aliança entre PMDB e PT, que governou o Rio de Janeiro por uma década, criou vazio político que foi apenas parcialmente preenchido por lideranças como Witzel, o bispo evangélico Marcelo Crivella e nova geração de deputados e vereadores pró-Bolsonaro, com discurso centrado em combate ao crime. 

A meteórica queda de Witzel deve-se também à rapidez com que se afastou de Bolsonaro, anunciando-se como possível rival nas eleições de 2022. A coligação de apoio ao presidente no Rio é tensa, cheia de rachaduras, e depende de sua capacidade em escapar das investigações sobre corrupção envolvendo sua família, conduzidas pelo Ministério Público Estadual e pela Polícia Civil. O caminho para a permanência no Planalto passa pelo controle do Palácio Guanabara.

* CIENTISTA POLÍTICO DA UERJ

 

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