ANÁLISE: Viável ou negociável?

Para se viabilizar, Maia demandaria tempo e esforços que não parecem caber na agenda de quem controla a Câmara

Humberto Dantas*, O Estado de S.Paulo

09 Janeiro 2018 | 03h00

Analistas políticos afirmam que o bloco de centro direita que governa o País se mantém no poder caso convirja para uma candidatura presidencial única. A partir disso, três desafios se mostram hercúleos: convencer o eleitor da real melhora econômica que vive o País; encontrar um nome viável capaz de afrontar Lula e Bolsonaro nas pesquisas e, principalmente, unir MDB, PSDB, DEM, PP e PSD.

Para tal missão, todos os apontados até aqui carregam fragilidades, e nas últimas semanas a bola da vez é Geraldo Alckmin, sendo possível imaginar que nada está totalmente definido, a começar pelas incertezas do próprio PSDB. Ademais, se o governador de São Paulo fosse tão certo, por que se falaria tanto em Luciano Huck, Rodrigo Maia e Henrique Meirelles? O primeiro atenderia, questionavelmente, ao clamor por renovação que parcelas da sociedade ecoam. Os demais parecem estratégias partidárias para conquistar espaços eleitorais. Na falta de um nome óbvio, as legendas costumam fazer testes para negociar desistências - exemplos na história não nos faltam, e tais tratativas passam pelas eleições estaduais e pela divisão de poder em caso de uma vitória que parcelas da centro direita dão como certa, inflacionando o preço dos apoios.

Entre os partidos envolvidos em todo esse complexo jogo, o DEM é o mais frágil, pois possui menos dinheiro e tempo de TV, tendo desoxigenado muito desde a década de 90 - lembremos que faz 20 anos o PFL foi o último partido a conquistar, nas urnas, mais de 100 cadeiras na Câmara dos Deputados. Na atual conjuntura, tão frágil quanto a legenda é seu suposto candidato. Rodrigo Maia é bom de bastidores, uma espécie de Michel Temer em formação, um jovem de apenas 47 anos, filho de político experiente. Seria um bom vice, poderia tentar o governo estadual, mas em 2012 sua experiência majoritária foi trágica, conquistando menos de 3% dos votos para a prefeitura do Rio de Janeiro. Ademais, depois de 2006, quando superou 200 mil votos para deputado, seu desempenho vem caindo e atingiu 53 mil votos em 2014. Já em 2010 teve menos de 40% da votação da eleição anterior.

Por fim, Maia é pouco carismático e tímido. Tais barreiras podem ser transpostas, e é importante destacar que virtudes existem, a começar pela forma como negocia com partidos distantes do DEM em termos ideológicos. Mas antes de mostrar tais qualidades, ele precisará se explicar na Lava Jato, por exemplo, onde seu nome surgiu com destaque de quem recebeu codinome e tudo o mais. Assim, para se viabilizar, o parlamentar demandaria tempo e esforços que não parecem caber na agenda de quem controla a Câmara dos Deputados em ano de complexidade tão expressiva capaz de aliar a eleição e a impopular reforma previdenciária que ele defende de forma contundente.

*Cientista político da 4E consultoria

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