Análise: só questão regional não explica escolha para convenção

Para cientista político, disputas locais podem ter trazido tucano a Salvador

André Mascarenhas/enviado especial a Salvador - estadão.com.br

11 de junho de 2010 | 22h56

Mais do que reverter um quadro desfavorável nas pesquisas, a escolha de Salvador para o lançamento da candidatura de José Serra à presidência pode ter como meta apaziguar disputas locais. Para o cientista político Paulo Fábio Dantas Neto, é perigoso afirmar que ida do tucano à capital baiana neste sábado, 12, tenha apenas o objetivo de ampliar os votos do presidenciável na região.

 

"Serra pode estar sendo levado ao Nordeste tanto pela questão do eleitoral quanto para resolver disputas políticas da elite local", disse o pesquisador da Universidade Federal da Bahia em entrevista na última terça-feira, 8. "Não estou certo de que o Nordeste está tendo na campanha de Serra uma prioridade maior do que Minas", comparou.

 

O PSDB encontra dificuldades para indicar um dos dois candidatos ao Senado na chapa com o pré-candidato ao governo da Bahia Paulo Souto, do DEM. Embora a candidatura do ex-prefeito de Feira de Santana José Ronaldo (DEM) seja certa, os tucanos não chegaram a um consenso sobre o segundo nome, uma vez que o preferido de Serra, o senador democrata ACM Júnior, já avisou que não concorrerá à reeleição.

 

Para o professor, será necessário observar os próximos lances da campanha para se chegar a uma conclusão mais precisa dos reais objetivos do tucano. "Serra está tentando tirar uma diferença grande, mas só poderemos verificar se essa é a prioridade com a campanha em curso", explicou. Para Dantas, conclusões mais precisas dependerão da análise de como o candidato tucano usará seu tempo de TV, dos temas de seu programa de governo e de sua agenda de compromissos públicos.

 

Sobre a estratégia a ser adotada para angaria votos na região, Dantas crê que o sucesso do candidato tucano dependerá mais da abordagem que ele dará aos temas nacionais do que da escolha de temas regionais para agradar o eleitorado. Ele cita como exemplo as declarações feitas por Serra relativizando a autonomia do Banco Central. "Enquanto Marina e Dilma prometeram manter a autonomia do BC, Serra demonstrou restrições. Que tipo de compromisso isso revela? Mostra uma relação umbilical do candidato com certos segmentos industriais de São Paulo", exemplificou.

 

Para Dantas, a regionalização da agenda do candidato não significa, necessariamente, uma preocupação com divisão do eleitorado. Um dos motivos para as viagens ao Nordeste, especula, pode ser afinar os conflitos regionais. Por isso, ele pede cautela aos que vêem na escolha de Salvador um sinal de que Serra priorizará o Nordeste.

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