UESLEI MARCELINO|REUTERS
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Análise: Sem Cardozo, petistas precisarão encontrar outro bode expiatório

Se com o novo ministro da Justiça, Wellington Cesar, as investigações da Operação Lava Jato continuarem sem qualquer alteração, os petistas mais exacerbados precisarão arrumar outra pessoa para responsabilizar por suas mazelas

Marcelo de Moraes, O ESTADO DE S.PAULO

29 de fevereiro de 2016 | 18h22

A substituição de José Eduardo Cardozo no Ministério da Justiça pelo procurador Wellington Cesar, do Ministério Público da Bahia, é um movimento de alto risco e deixa governo e petistas sob os holofotes da opinião pública. Durante todo o tempo em que comandou a pasta, à qual a Polícia Federal é subordinada, Cardozo foi alvo de críticas pesadas de seus companheiros do PT e, veladamente, do próprio ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar de ser filiado há mais de três décadas ao PT, Cardozo foi atacado pelos colegas por não conter os supostos excessos que petistas acreditam que têm sido cometidos pela PF contra integrantes do governo e do partido.

Não é segredo para ninguém que as investigações da Operação Lava Jato e seus derivados causaram um imenso estrago político para governo e PT. O esquema de desvios de recursos da Petrobrás fez com que a imagem do governo se esfarelasse e causou prisão de petistas importantes, aliados políticos e empresários poderosos. Mais: as investigações começam a rondar o próprio Lula, que supostamente pode ter recebido favores de empreiteiras investigadas em troca de ajuda no trânsito político com o governo.

Até então, um dos esportes favoritos dos petistas era o de apontar o dedo na direção de Cardozo e responsabilizá-lo pelas investigações da PF que desagradavam ao partido. Assim, tudo de negativo que a PF achasse contra petistas não acontecia porque tinha ocorrido um ato de corrupção ou, pelo menos, algo que merecesse uma investigação mais aprofundada. Acontecia por conta dessa "frouxidão" do ministro na tutela da PF.

Sem poder usar mais Cardozo como bode expiatório, os petistas mais exacerbados terão agora uma nova realidade pela frente. Se com o novo ministro Wellington Cesar as investigações continuarem sem qualquer alteração, precisarão arrumar outra pessoa para responsabilizar por suas mazelas. E se houver algum tipo de interferência política, a pressão da opinião pública contra isso será, sem dúvida, muito intensa e ampliará o desgaste do governo e do PT. Num momento em que a presidente Dilma Rousseff volta a ser assombrada pelo fantasma do impeachment, qualquer mudança brusca na área da Polícia Federal poderá acarretar num custo político desastroso.

 

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