Análise: Segunda chance para começo de governo Dilma

Escolha da senadora Gleisi Hoffmann para substituir Antonio Palocci na Casa Civil é marco da independência da presidente em relação a Lula

João Domingos, de O Estado de S. Paulo

07 de junho de 2011 | 23h00

O dia 7 de junho é uma segunda chance para a presidente Dilma Rousseff "tomar posse" do governo e afastar a influência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A escolha da senadora Gleisi Hoffmann para substituir Antonio Palocci na Casa Civil é um marco da independência de Dilma em relação a seu padrinho.

 

A entrada de Palocci na equipe de campanha de Dilma foi imposta por Lula assim que a convenção nacional do PT a escolheu candidata à Presidência, em junho do ano passado. E, na escolha da equipe de ministros, Lula novamente interveio, dizendo que Palocci deveria ir para a Casa Civil.

 

Dilma queria Palocci na Secretaria-Geral da Presidência, que acabou ocupada por Gilberto Carvalho, também um homem de confiança do ex-presidente. Além desses dois, Lula impôs outros nomes na equipe de Dilma Rousseff. Tanto é que se falava muito entre os políticos que o primeiro ministério de Dilma era uma espécie de tampão, feito para agradar a Lula. No segundo ano de governo ela faria o seu.

 

Na montagem do ministério, Dilma deixou claro que preferia na Casa Civil o então ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Mas, obrigada a nomear Palocci para a função de mais importante ministro de seu governo, ela levou Paulo Bernardo para o Ministério das Comunicações.

 

Agora, substituiu Palocci por Gleisi Hoffmann, que é mulher do ministro Paulo Bernardo.

 

A nova ministra foi porta-voz da insatisfação da bancada com Palocci e chegou a desafiar a autoridade de Lula, que baixara em Brasília em plena crise para pedir unidade do partido em prol do então titular da Casa Civil. Com o governo sob cerco político, Lula ordenara: "Se vocês não segurarem Palocci, a oposição não vai dar sossego". Apesar da recomendação do ex-presidente, Gleisi criticou a permanência de Palocci.

 

Nos cinco meses e sete dias que marcam o primeiro período do governo de Dilma, ela deu mostras de que, ao contrário de seu antecessor, não gosta de ficar fazendo agrados aos ministros. Quer resultados rápidos, cobra eficiência. Mas ela própria não tem tomado decisões com muita rapidez, o que pode ser um sintoma de que se sente pouco à vontade com uma equipe montada por outro.

 

Dilma também tem dificuldades em participar de reuniões que envolvem a chamada "política rasteira", de negociação de cargos. Ela prefere macropolíticas. Quem vinha cuidando das negociações da "política rasteira" com os 15 partidos aliados era Antonio Palocci, o que acabou por dar força excessiva ao ex-ministro.

 

Tanto é que Dilma só fazia encontros com políticos acompanhada de Palocci. Agora, com Gleisi, que é senadora com pouco mais de três meses de mandato, a presidente deverá ela mesma receber os partidos. Foi isso que prometeu, por exemplo, aos cinco senadores do PTB com os quais almoçou ontem. Disse a eles que marcará um encontro para saber de seus pleitos. Ou seja, Dilma vai pôr a mão na "política rasteira".

 

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