Análise: Saída dá alívio, mas não deve resolver problema do governo

O pedido de exoneração feito pelo ministro Romero Jucá (Planejamento) pode até dar certo alívio ao governo de Michel Temer, pois tira de sua equipe um auxiliar suspeito de participar da armação de esquema destinado a salvar políticos investigados pela Lava Jato. Mas não resolve um problema maior, com vício de origem, o da nomeação de ministros de alguma forma suspeitos de serem beneficiários de desvios de dinheiro da Petrobrás.

João Domingos*, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2016 | 07h59

Temer conta com respaldo dos favoráveis ao impeachment que, com a pressão das ruas, o ajudaram a chegar ao poder. Mas esses cidadãos, que brandiram faixas a favor da Lava Jato e do juiz Sérgio Moro, disseram querer outro governo, sem manchas, ao contrário daquele do PT que combateram.

O presidente em exercício precisa levar em conta que manter ministros citados na Lava Jato só lhe trará problemas. Principalmente depois da suspeita de que o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, um dos primeiros envolvidos nas denúncias de corrupção na Petrobrás, teria negociado com o Ministério Público um acordo de delação premiada que envolve um salvo-conduto à base de gravações ocultas com os mais diversos políticos.

Hoje, amanhã ou depois, o conteúdo de novas conversas cabeludas pode aparecer. Sem contar que outras, já entregues ao Ministério Público, poderão gerar novas etapas da Lava Jato. É uma situação que pode se tornar fatal para o governo.

*João Domingos é coordenador do serviço análise política do Broadcast Político.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.