ANÁLISE: Revés de Aécio é da classe política

A opinião pública poderá cobrar de seus representantes nas urnas a fatura da posição tomada sobre voto aberto

Alberto Bombig, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2017 | 14h46

A liminar concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes determinando a obrigatoriedade do voto aberto é um forte revés para o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e para a classe política de um modo geral. Vai também obrigar o Congresso, mais especificamente o Senado, a dizer quem é quem no embate entre os políticos e a Operação Lava Jato. Como consequência, a opinião pública poderá cobrar de seus representantes nas urnas a fatura da posição tomada em mais esse triste capítulo da eterna crise brasileira.

À direita e à esquerda, senadores estão pressionados a partir de agora pelo voto aberto. O PT, por exemplo, terá de deixar claro de que lado está neste momento, se a favor do corporativismo ou da oposição ao presidente Michel Temer. O PSDB se vê confrontado com sua postura pró-Lava Jato quando a operação tem Lula e o PMDB como alvos. Terão os tucanos coragem de manter o discurso ético com o mandato de Aécio, seu presidente nacional licenciado, no cadafalso?

Cabe destacar que a liminar só foi deferida após um pedido da Rede, que já deixou claro seu lado nessa questão. A bola agora está com os partidos tradicionais e com a velha polarização PT-PSDB.

A votação no Senado será também um teste sobre a força do governo na Casa. Aécio é hoje um dos principais aliados de Temer e fiador da permanência dos tucanos na base aliada ao Planalto.

Julgamentos de méritos apartados, está na hora de todos os atores desta crise assumirem claramente suas posições,  para além das piruetas retóricas. O voto aberto é uma boa oportunidade para isso. Perdeu o corporativismo, ganhou a transparência.

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