ANÁLISE: Referências repetidas a Lula dão mostra de lealdade de Alencar

Em 92 discursos como presidente da República em exercício, a segunda palavra mais repetida foi 'presidente'

José Roberto de Toledo e Daniel Bramatti, de O Estado de S. Paulo

29 de março de 2011 | 23h00

Foram 92 discursos como presidente da República. Depois de "Brasil", a palavra mais repetida por José Alencar durante seu período de interinidade foi "presidente", usado como sinônimo ou em conjunto com "Lula". É uma prova da lealdade do vice a seu companheiro de chapa.

 

A análise do discurso de Alencar como presidente deixa claro que a dobradinha do empresário com o sindicalista perdurou desde 2002 até ontem. Ela começou na primeira eleição de Lula, para tornar o petista mais palatável a uma camada do eleitorado que o via como uma ameaça ao capitalismo.

 

Nada melhor do que se associar a um dos maiores empresários do Brasil para afastar esse temor. Mas a convivência acabou superando a conveniência. Alencar e Lula se identificaram - ambos começaram dos degraus mais baixos da escala social e chegaram onde chegaram- e se tornaram amigos sinceros, algo raro na política.

 

Mesmo as repetidas referências à alta "taxa" de "juros" (duas das palavras mais ditas por Alencar), interpretadas como estranhamento entre vice e presidente, eram combinadas com Lula. Ele funcionavam como um canal de pressão sobre o Banco Central.

 

Alencar servia de porta-voz quando o titular não podia correr o risco de criticar sua equipe econômica, sob o risco de aquilo ser interpretado como uma ameaça à autonomia da autoridade monetária. O vice dava o recado e Lula ficava como árbitro.

 

A soma das falas de Alencar deixa evidente seu ideário desenvolvimentista e nacionalista. "Desenvolvimento", "nacional", "economia" e "Brasil" estão entre os termos mais repetidos. "Empresa(s)" é também uma constante, bem como "trabalho".

 

Essa parecia ser sua fórmula para o País: muito trabalho, para promover o desenvolvimento da economia. E juros baixos. Não por acaso, "Minas (Gerais)" foi o local mais citado pelo presidente em exercício. O mineiro nunca esqueceu suas raízes e quando recebia visitas em seu gabinete, sempre oferecia pão de queijo e café fraquinho.

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