Dida Sampaio / Estadão
Dida Sampaio / Estadão

ANÁLISE: O risco do bolsonarismo é a redução

A opção por estabelecer diálogo propositivo apenas com grupos que se identificam com os propósitos do governo, além de antidemocrática, é perigosa

Marco Antonio Teixeira*, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2019 | 08h01

Depois de ter sido eleito num pleito extremamente polarizado por visões distintas de sociedade, Jair Bolsonaro, no seu discurso de posse, chegou a falar em união do País. Todavia, desde que assumiu não tem feito nenhum movimento substantivo nessa direção. O princípio democrático de que o governante mesmo sendo eleito por uma parcela da sociedade passa a governar inclusive em benefício daqueles que nele não votaram não tem prevalecido. 

O que se tem visto , até o momento, é o presidente da República fazendo manifestações de apreço por grupos sociais que concordam com seus propósitos, como evangélicos, católicos carismáticos e agrupamentos que demonstram pouca estima por questões ambientais e pelos direitos de minorias. Por outro lado, não tem sido incomum ouvir na retórica presidencial palavras que desprezam a importância do trabalho de organizações que atuam em defesa do meio ambiente e de segmentos sociais que são considerados fora dos padrões dos valores tradicionais do cristianismo.  

A opção por estabelecer diálogo propositivo apenas com grupos que se identificam com os propósitos do governo, além de antidemocrática, é perigosa. Antidemocrática por não reconhecer que o Brasil não se caracteriza como uma sociedade homogênea. É um País formado por brancos, negros e índios e por uma migração multireligiosa. Essa diversidade precisa ser incorporada na pauta governamental.  

Perigosa para um governo que nesse momento é avaliado negativamente por mais de 50% da população. Isso combinado com uma crise econômica que afeta enormemente a renda e o emprego de milhões de brasileiros pode afetar drasticamente sua legitimidade social. 

Dialogar somente com seus iguais se constitui em um risco para o presente quanto a governabilidade e para o futuro no que se refere aos projetos políticos da família e dos aliados. Estes últimos, afetados diretamente pela queda de popularidade do presidente em suas bases eleitorais, começam a fazer calculo eleitoral e podem, como já vem ocorrendo de forma ainda isolada, abandonar barco do bolsonarismo.

* Cientista político e um dos editores do Blog "Gestão, Política & Sociedade"

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