Reprodução/TV Globo
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Michel Temer: Prisão de ex-presidente terá reflexos na tramitação da Previdência

PMDB é um partido com uma bancada importante e pode criar obstáculos para reforma

Marco Antônio Carvalho *, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2019 | 12h53

Podemos analisar a prisão de Michel Temer a partir de várias frentes. Estava clara, desde o início, que tão logo o ex-presidente perdesse o foro privilegiado, as denúncias contra ele iriam andar. O mesmo vale para Moreira Franco. O que chama atenção são as prisões, mas para analisá-la ainda precisamos conhecer mais sobre a denúncia que as motivou.

Agora, tudo o que pode acontecer para dificultar a reforma da previdência está acontecendo. Essa prisão vai tumultuar o cenário político. O PMDB é um partido com uma bancada importante e essa prisão pode criar obstáculos para a votação da reforma. Ou seja, não é bom para o governo nesse momento. Somando-se a isso você tem a recepção ruim da questão da aposentadoria para os militares, teve a rusga entre o ministro da Justiça Sério Moro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia – que, aliás, ao menos indiretamente é afetado pela prisão de Moreira Franco (ele é sogro de Maia).

Ainda existe outro elemento. Especulasse que essas prisões são uma reação da Lava Jato, uma forma da operação recuperar o apoio da opinião pública e dar uma resposta àqueles que diziam que ela havia perdido força por conta da última decisão do STF (de que crimes como corrupção e lavagem de dinheiro, quando investigados junto com caixa dois, devem ser processados na Justiça Eleitoral, e não na Federal).

*PROFESSOR DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DA FGV-SP

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